Se o ProfiMed virar lei, o médico recém-formado que não for aprovado na prova não obterá o registro no CRM, mas poderá solicitar a Inscrição de Egresso em Medicina (IEM) — um registro não profissional que autoriza apenas atividades técnico-científicas, sem contato com pacientes. Ou seja, com a IEM não é possível atender, prescrever nem assinar documentos médicos. Entenda o que muda.
Conteúdo atualizado em julho de 2026. O ProfiMed (PL 2.294/2024) ainda tramita na Câmara dos Deputados. Veja também o nosso guia completo sobre o ProfiMed.
O que é a IEM (Inscrição de Egresso em Medicina)?
A IEM é uma criação do próprio projeto de lei do ProfiMed. A intenção é não deixar o recém-formado sem qualquer amparo legal enquanto ele não é aprovado no exame. Trata-se de um registro de caráter não profissional, com funções limitadas e sem autorização para a prática de atos médicos.
O que é permitido com a IEM?
Com a Inscrição de Egresso em Medicina, o egresso ficaria autorizado a atuar em áreas técnico-científicas que não envolvam o cuidado direto do paciente, tais como:
- Pesquisa e inovação;
- Ensino e atividades acadêmicas;
- Análise de dados em saúde;
- Funções administrativas e de gestão na área da saúde.
O que é proibido com a IEM?
A IEM não substitui o CRM e não autoriza o exercício da medicina propriamente dito. Ficariam vedados, entre outros:
- O atendimento e o cuidado direto de pacientes;
- A prescrição de medicamentos;
- A assinatura de prontuários, laudos, atestados e demais documentos médicos;
- Qualquer ato privativo de médico.
Na prática, a IEM funciona como uma condição de transição: o egresso mantém um vínculo formal com a profissão e pode contribuir em atividades de bastidores, mas só assume a assistência quando for aprovado no ProfiMed e obtiver o CRM.
Quantas vezes é possível tentar o exame?
Pela lógica da proposta, o exame seria aplicado ao menos duas vezes por ano em todos os estados, o que permitiria novas tentativas ao longo do tempo. Como o texto ainda está em análise na Câmara dos Deputados, detalhes operacionais — número de tentativas, validade da aprovação e prazos — podem ser ajustados antes de a lei entrar em vigor.
Quem já tem CRM precisa se preocupar com a IEM?
Não. A IEM é voltada a quem prestaria o exame e não fosse aprovado. Médicos já registrados no CRM antes da vigência da lei, assim como estudantes já matriculados, estariam isentos da obrigatoriedade do ProfiMed — como explicamos no artigo Quem será obrigado a fazer o ProfiMed.
A importância de acompanhar o tema
Enquanto o ProfiMed não é sancionado, nada disso está em vigor. Ainda assim, o desenho da IEM já indica como o legislador pretende equilibrar a exigência de proficiência com a proteção do recém-formado. Acompanhar de perto essas regras é fundamental para estudantes, recém-formados e instituições de saúde — e faz parte de uma boa gestão de risco na carreira médica.