Lipo matou empresária foi feita por não especialista: cuidado na escolha de seu médico

Paciente consulta cirurgiao plastico em consultorio moderno antes de cirurgia

Nos últimos anos, presenciei um crescimento vertiginoso da procura por procedimentos estéticos no Brasil, especialmente as intervenções conhecidas como cirurgias corporais. Entre essas técnicas, destaco a popularidade da chamada “lipo”. Infelizmente, a pressa pela mudança estética, aliada à desinformação, abriu espaço para aconselhamentos equivocados e, em casos extremos, para histórias trágicas como a que relato a seguir.

O alerta que ninguém gostaria de dar

Recentemente, acompanhei a repercussão do falecimento de uma empresária após ser submetida a uma lipoaspiração realizada por um profissional sem a devida especialização. Situações como esta despertam indignação e exigem, mais do que nunca, reflexão profunda sobre a responsabilidade de quem atua na área da saúde.

Ao analisar o caso, percebo que não se trata apenas de um episódio isolado. A ausência de formação adequada em procedimentos cirúrgicos pode resultar em eventos adversos graves e irreparáveis. São vidas impactadas e famílias destruídas pela escolha de um caminho mais curto, mas extremamente perigoso.

Entendendo os riscos da escolha equivocada

Ao longo da minha trajetória como advogado e consultor em gestão de risco para profissionais da saúde, presenciei inúmeras situações em que a pressa, a falta de cautela ou o desconhecimento sobre credenciais médicas redundaram em danos severos.

  • Complicações anestésicas
  • Infecções graves e sistêmicas
  • Lesões irreversíveis nos tecidos
  • Consequências funcionais e estéticas duradouras
  • Abalo psicológico do paciente e de seus familiares

Muitas complicações poderiam ser evitadas se os pacientes soubessem o que significa, na prática, a verdadeira formação de um especialista em cirurgias estéticas.

Por que a formação especializada faz tanta diferença?

Com base em minha experiência, afirmo sem hesitar: procedimentos cirúrgicos em medicina exigem não apenas habilidades técnicas, mas também profundo conhecimento anatômico, domínio de protocolos de segurança e capacidade de lidar com intercorrências.

Formar-se em Medicina é apenas o primeiro passo. O caminho para habilitar-se em cirurgias estéticas segue o seguinte roteiro:

  1. Graduação em Medicina
  2. Residência em Cirurgia Geral (mínimo de dois anos)
  3. Residência em Cirurgia Plástica (mais três anos, pelo menos)
  4. Provas de título ambas teóricas e práticas
  5. Registro de Qualificação de Especialista (RQE)

Cada etapa é certificada, acompanhada e supervisionada por instituições regidas por rígidas normas. O RQE funciona como uma blindagem adicional à sociedade, forçando a confirmação de que o profissional passou por toda a preparação exigida.

A função do RQE: proteção do paciente em primeiro lugar

Em inúmeros trabalhos, ressaltei a relevância do RQE na rotina médica. Trata-se de um registro emitido pelos Conselhos Regionais de Medicina, atestando a formação em determinada especialidade reconhecida.

Sei que, para muitos pacientes, siglas como CRM, RQE e títulos de sociedades médicas podem parecer burocráticos. No entanto, elas são o escudo que separa a medicina baseada na ciência daquela guiada por modismos ou práticas empíricas.

Somente médicos com RQE em Cirurgia Plástica estão legalmente autorizados a executar técnicas avançadas como a lipoaspiração. O próprio Conselho Federal de Medicina, em publicações oficiais, deixa clara essa exigência, como pode ser observado nos debates sobre qualificação profissional e registros em conselhos de classe (consulta pública do Conselho Federal de Medicina Veterinária).

Esse sistema regulatório se reflete ainda em outras áreas da saúde. Recentemente, conselhos de Farmácia e Fisioterapia instituíram modelos semelhantes de registro para proteger a sociedade, como nas decisões recentes do Conselho Federal de Farmácia e na criação de registros para fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.

O papel fundamental da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

Durante eventos científicos e fóruns médicos, sempre percebo o protagonismo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) na defesa dos padrões éticos e científicos da especialidade. A SBCP fiscaliza, instrui, desenvolve campanhas educativas e atua junto ao poder público para evitar a banalização dos procedimentos.

A entidade incentiva não apenas a capacitação técnica, mas também práticas seguras, o respeito ao ato médico, a denúncia de charlatanismos e a valorização do processo de revalidação contínua dos títulos profissionais.

O cenário ideal, e que defendo em todo meu trabalho como consultor, é um ambiente em que pacientes só aceitem se submeter a intervenções com quem preenche rigorosamente todos os requisitos legais e éticos.

Médico cirurgião conversando com paciente sobre lipoaspiração, mostrando diplomas na parede O caso da empresária: como a tragédia poderia ser evitada?

Quando analiso situações como a que vitimou a empresária durante uma lipo, vejo uma mistura perigosa de desinformação, publicidade agressiva e uma falsa sensação de segurança. Esse perfil de tragédia se repete em vários estados do Brasil, quase sempre associado a ambientes sem estrutura hospitalar, uso inadequado de equipamentos e ausência de especialista.

A pressa de transformar o corpo não justifica abrir mão da sua vida.

Muitas reportagens escancaram que, por trás de preços tentadores e promessas milagrosas, pode estar a ausência do RQE. E sem ele, não há garantias nem direitos claros para o paciente. Tragédias como essa vão muito além da dor individual. Elas expõem um sistema que precisa de mais fiscalização e autonomia crítica por parte dos consumidores.

No contexto da legislação brasileira, o rol de procedimentos do Programa Agora Tem Especialistas também deixa evidente como o Estado busca direcionar recursos apenas a profissionais comprovadamente habilitados.

Não é raro que familiares procurem orientações jurídicas após episódios fatais ou sequelas incapacitantes. Meu conselho, reiterado em muitos artigos, reforça: a prevenção é a única via realmente segura.

Como identificar um verdadeiro especialista?

Mas, afinal, como você pode garantir que o médico escolhido realmente possui a formação adequada?

  • Pesquise o número do CRM do profissional no site do Conselho Regional de Medicina do estado
  • Verifique se há RQE específico para Cirurgia Plástica, também nos portais oficiais
  • Busque referências na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
  • Analise a estrutura física da clínica: se há centro cirúrgico habilitado, suporte a emergências e documentação visível
  • Evite ser convencido apenas por marketing digital ou depoimentos em redes sociais

Alguns sinais de alerta merecem sua atenção. Se o profissional hesita em apresentar certificações, não explica riscos ou minimiza o caráter invasivo das intervenções, isso é motivo suficiente para buscar outra opinião.

Eu costumo dizer que, mais do que escolher um médico, o paciente está escolhendo a preservação de sua própria vida e dignidade. Em textos sobre o reconhecimento do título de especialista, deixo sempre claro: não existe atalho seguro quando o assunto é saúde.

Consequências jurídicas para profissionais não habilitados

O exercício irregular da medicina ou da cirurgia estética pode configurar não apenas falta ética, mas crime. A legislação responsabiliza civil e penalmente médicos sem o título ao causar dano em procedimentos que só especialistas deveriam realizar. O envolvimento das autoridades e multas milionárias são comuns nesses casos.

Médicos podem responder por imperícia e até homicídio culposo se atuam fora de sua área de competência. E, como defendo em minha consultoria, é papel do paciente entender seus direitos e exigir comprovação formal.

Profissionais completos atuam de acordo com as normas, comunicam riscos, documentam procedimentos e seguem protocolos rígidos. Em situações de erro, inclusive, há recursos legais para defesa e orientação (saiba neste artigo).

Educação do paciente: informação é proteção

Tenho dedicado boa parte da minha atuação à produção e divulgação de conteúdos que auxiliam pacientes e profissionais a tomar decisões responsáveis. O risco de um procedimento mal executado só diminui quando todos, médicos, clínicas e pacientes, entendem o papel da informação bem fundamentada.

Recomendo, inclusive, a leitura do artigo imperícia médica: como evitar riscos e responsabilidade legal, onde aprofundo pontos-chave da conduta médica em procedimentos cirúrgicos e a importância da qualificação documentada.

Sala de cirurgia plástica moderna, cirurgiões especializados e diplomas ao fundo Conclusão: Proteja-se, escolha com critério

Ao finalizar essa análise, reforço: buscar procedimentos estéticos com profissionais não habilitados expõe o paciente a riscos inaceitáveis à vida, à integridade e à dignidade. O caso da empresária que perdeu a vida devido a uma escolha equivocada serve de lembrete severo para todos.

A atuação de especialistas com RQE, acompanhada pela fiscalização das entidades médicas e pelo acesso claro à informação, cria o melhor cenário possível para que a medicina seja um espaço de confiança, segurança e resultados responsáveis.

Minha missão, com o projeto Cassiano Oliveira, é exatamente proporcionar instrumentos de gestão de risco e educação jurídica para médicos, clínicas e pacientes. Se você busca segurança na sua carreira ou no atendimento de sua clínica, ou quer entender melhor os direitos do paciente, entre em contato e conheça nossas soluções completas em blindagem jurídica e gestão profissional.

Perguntas frequentes

O que é cirurgia plástica?

Cirurgia plástica refere-se ao conjunto de procedimentos médicos realizados com a finalidade de reconstruir, reparar ou modificar uma parte do corpo humano. Ela é dividida em duas áreas: estética, com foco na aparência, e reparadora, para corrigir deformidades causadas por acidentes, doenças ou problemas congênitos.

Como escolher um bom cirurgião plástico?

Para escolher um cirurgião confiável, verifique o registro no CRM, procure o RQE específico na área de cirurgia plástica e confirme o nome do profissional no site da SBCP. Avalie se a clínica possui infraestrutura adequada e questione diretamente sobre a formação e experiência do médico responsável.

Quais os riscos da cirurgia plástica?

Os riscos incluem infecção, reações adversas à anestesia, hemorragias, tromboses, cicatrizes anômalas e até óbito em casos graves. Esses perigos aumentam quando o médico não possui a formação necessária ou quando o procedimento é realizado em estruturas inadequadas.

Quanto custa uma cirurgia plástica?

O valor pode variar bastante conforme a complexidade do procedimento, a experiência do profissional e a cidade onde ocorre a intervenção. Sempre desconfie de preços muito inferiores ao valor de mercado, pois isso pode indicar ausência de especialização ou infraestrutura básica.

Onde encontrar clínicas de cirurgia plástica confiáveis?

Busque por clínicas referenciadas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e pesquise avaliações de outros pacientes. Procure também informações nos conselhos regionais de medicina para confirmar registros e analisar se há certificações visíveis no local do atendimento.

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Cassiano Oliveira

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