{"id":3532,"date":"2026-10-25T08:00:00","date_gmt":"2026-10-25T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/?p=3532"},"modified":"2026-10-16T16:02:19","modified_gmt":"2026-10-16T19:02:19","slug":"responsavel-tecnico-rt-medico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/responsabilidade-civil\/responsavel-tecnico-rt-medico\/","title":{"rendered":"O que faz o respons\u00e1vel t\u00e9cnico (RT) m\u00e9dico e quais s\u00e3o as suas responsabilidades"},"content":{"rendered":"<p>O respons\u00e1vel t\u00e9cnico (RT) m\u00e9dico, chamado nas normas do CFM de diretor t\u00e9cnico, \u00e9 o m\u00e9dico que responde perante o Conselho Regional de Medicina, a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria, o Minist\u00e9rio P\u00fablico, o Judici\u00e1rio e as demais autoridades pelos aspectos formais do funcionamento do estabelecimento de sa\u00fade. A exig\u00eancia vem do art. 28 do Decreto n\u00ba 20.931\/1932, segundo o qual nenhum estabelecimento de assist\u00eancia m\u00e9dica pode funcionar sem um diretor t\u00e9cnico habilitado em medicina, e as atribui\u00e7\u00f5es est\u00e3o na Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.147\/2016. Entre elas: zelar pelo cumprimento das normas, assegurar condi\u00e7\u00f5es de trabalho e insumos, conferir a habilita\u00e7\u00e3o dos profissionais e organizar a escala de plant\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitos m\u00e9dicos assumem a responsabilidade t\u00e9cnica quase como formalidade: \u00e9 o nome que precisa constar no registro da cl\u00ednica no CRM e no alvar\u00e1 sanit\u00e1rio. O problema aparece quando h\u00e1 fiscaliza\u00e7\u00e3o, den\u00fancia ou processo, e o m\u00e9dico descobre que responde por falhas estruturais que n\u00e3o viu, ou que continua respondendo por uma cl\u00ednica da qual j\u00e1 saiu.<\/p>\n<p>Este texto explica o que faz o RT m\u00e9dico, a diferen\u00e7a para o diretor cl\u00ednico, a quest\u00e3o da carga hor\u00e1ria, o limite de estabelecimentos, como assumir e deixar a fun\u00e7\u00e3o e as responsabilidades \u00e9tica, civil e sanit\u00e1ria. As normas citadas foram conferidas nas fontes oficiais em outubro de 2026.<\/p>\n<h2>Principais pontos<\/h2>\n<ul>\n<li><strong>Todo estabelecimento de assist\u00eancia m\u00e9dica precisa de diretor t\u00e9cnico m\u00e9dico<\/strong>, por for\u00e7a do Decreto n\u00ba 20.931\/1932, art. 28, e das normas do CFM.<\/li>\n<li><strong>Diretor t\u00e9cnico e diretor cl\u00ednico t\u00eam pap\u00e9is distintos:<\/strong> o primeiro responde pelo funcionamento formal; o segundo, eleito pelo corpo cl\u00ednico, coordena a assist\u00eancia.<\/li>\n<li><strong>A regra geral \u00e9 o limite de dois estabelecimentos<\/strong> por m\u00e9dico, com exce\u00e7\u00f5es previstas em resolu\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do CFM.<\/li>\n<li><strong>As normas federais do CFM consultadas n\u00e3o fixam carga hor\u00e1ria em horas<\/strong>, mas exigem exerc\u00edcio presencial da dire\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica.<\/li>\n<li><strong>A responsabilidade t\u00e9cnica s\u00f3 cessa quando o CRM \u00e9 comunicado<\/strong>; sair da cl\u00ednica sem formalizar a baixa mant\u00e9m o nome do m\u00e9dico vinculado.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>O que faz um RT m\u00e9dico?<\/h2>\n<p>Um RT m\u00e9dico garante que o estabelecimento funcione dentro das normas legais e \u00e9ticas e responde por isso perante as autoridades. A <a href=\"https:\/\/sistemas.cfm.org.br\/normas\/arquivos\/resolucoes\/BR\/2016\/2147_2016.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.147\/2016<\/a> define o diretor t\u00e9cnico como respons\u00e1vel, perante os Conselhos de Medicina, autoridades sanit\u00e1rias, Minist\u00e9rio P\u00fablico, Judici\u00e1rio e demais autoridades, pelos aspectos formais do funcionamento do estabelecimento que represente (Anexo, art. 2\u00ba). O cargo \u00e9 provido por designa\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou, nas entidades privadas, pelo corpo societ\u00e1rio ou mesa diretora (art. 2\u00ba, \u00a7 1\u00ba).<\/p>\n<p>Os deveres est\u00e3o listados no \u00a7 3\u00ba do mesmo artigo. Os mais relevantes no dia a dia de uma cl\u00ednica ou hospital s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>zelar pelo cumprimento das disposi\u00e7\u00f5es legais e regulamentares em vigor;<\/li>\n<li>assegurar condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho e os meios indispens\u00e1veis \u00e0 pr\u00e1tica m\u00e9dica, sendo respons\u00e1vel por faltas \u00e9ticas decorrentes de defici\u00eancias materiais, instrumentais e t\u00e9cnicas da institui\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>assegurar o funcionamento pleno e aut\u00f4nomo das Comiss\u00f5es de \u00c9tica M\u00e9dica e das demais comiss\u00f5es oficiais;<\/li>\n<li>certificar-se da habilita\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos perante o Conselho e da qualifica\u00e7\u00e3o como especialista, mantendo c\u00f3pias na pasta funcional, regra que se estende aos demais profissionais de sa\u00fade;<\/li>\n<li>organizar a escala de plantonistas sem lacunas nas 24 horas de funcionamento e tomar provid\u00eancias diante de aus\u00eancias;<\/li>\n<li>assegurar que a publicidade institucional obede\u00e7a \u00e0s normas do CFM e que as pessoas jur\u00eddicas que atuam na institui\u00e7\u00e3o estejam inscritas no CRM;<\/li>\n<li>n\u00e3o contratar m\u00e9dicos formados no exterior sem registro nos Conselhos de Medicina.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Em contrapartida, o diretor t\u00e9cnico tem o direito de suspender integral ou parcialmente as atividades do estabelecimento quando faltarem as condi\u00e7\u00f5es funcionais previstas nas normas do CFM (art. 3\u00ba). O C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica refor\u00e7a o papel: na aus\u00eancia de plantonista substituto, a dire\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica deve providenciar a substitui\u00e7\u00e3o (art. 9\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico), e os an\u00fancios de estabelecimentos de sa\u00fade devem trazer o nome e o n\u00famero de CRM do diretor t\u00e9cnico (art. 117, par\u00e1grafo \u00fanico).<\/p>\n<h2>Respons\u00e1vel t\u00e9cnico e diretor t\u00e9cnico s\u00e3o a mesma coisa?<\/h2>\n<p>No \u00e2mbito dos Conselhos de Medicina, respons\u00e1vel t\u00e9cnico e diretor t\u00e9cnico designam a mesma fun\u00e7\u00e3o: o m\u00e9dico indicado como respons\u00e1vel pelo estabelecimento no registro de pessoa jur\u00eddica do CRM. A <a href=\"https:\/\/sistemas.cfm.org.br\/normas\/arquivos\/resolucoes\/BR\/2011\/1980_2011.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 1.980\/2011<\/a>, que trata do cadastro e registro de empresas, usa as duas express\u00f5es: o registro \u00e9 requerido pelo &#8220;m\u00e9dico respons\u00e1vel t\u00e9cnico&#8221; (art. 5\u00ba) e &#8220;o diretor t\u00e9cnico responde eticamente por todas as informa\u00e7\u00f5es prestadas&#8221; aos Conselhos (art. 9\u00ba).<\/p>\n<p>Perante a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria, a figura tem defini\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. A <a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/saudelegis\/anvisa\/2011\/rdc0063_25_11_2011.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">RDC Anvisa n\u00ba 63\/2011<\/a>, sobre boas pr\u00e1ticas de funcionamento de servi\u00e7os de sa\u00fade, define o respons\u00e1vel t\u00e9cnico como o profissional de n\u00edvel superior legalmente habilitado que assume perante a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria a responsabilidade t\u00e9cnica pelo servi\u00e7o (art. 4\u00ba, X), exige um RT e um substituto (art. 14) e determina que a altera\u00e7\u00e3o seja notificada ao \u00f3rg\u00e3o sanit\u00e1rio (art. 14, par\u00e1grafo \u00fanico). Em servi\u00e7o de assist\u00eancia m\u00e9dica, o RT \u00e9 o m\u00e9dico diretor t\u00e9cnico; em servi\u00e7os multiprofissionais, cada conselho profissional pode ter exig\u00eancias pr\u00f3prias para a sua \u00e1rea.<\/p>\n<h2>Qual a diferen\u00e7a entre diretor t\u00e9cnico e diretor cl\u00ednico?<\/h2>\n<p>O diretor t\u00e9cnico responde pelo funcionamento formal do estabelecimento perante as autoridades; o diretor cl\u00ednico representa o corpo cl\u00ednico e \u00e9 respons\u00e1vel pela assist\u00eancia m\u00e9dica, coordena\u00e7\u00e3o e supervis\u00e3o dos servi\u00e7os m\u00e9dicos. A diferen\u00e7a come\u00e7a pela forma de escolha: o diretor t\u00e9cnico \u00e9 designado pela administra\u00e7\u00e3o, e o diretor cl\u00ednico \u00e9 obrigatoriamente eleito pelo corpo cl\u00ednico (Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.147\/2016, Anexo, arts. 2\u00ba, \u00a7 1\u00ba, e 4\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico).<\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Aspecto<\/th>\n<th>Diretor t\u00e9cnico (RT)<\/th>\n<th>Diretor cl\u00ednico<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Como \u00e9 escolhido<\/td>\n<td>Designado pela administra\u00e7\u00e3o ou pelo corpo societ\u00e1rio<\/td>\n<td>Eleito pelo corpo cl\u00ednico<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Papel central<\/td>\n<td>Aspectos formais do funcionamento, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, habilita\u00e7\u00e3o da equipe, escalas<\/td>\n<td>Dire\u00e7\u00e3o do corpo cl\u00ednico e supervis\u00e3o da assist\u00eancia<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Prontu\u00e1rio<\/td>\n<td>Integra a hierarquia respons\u00e1vel pelo prontu\u00e1rio (Res. CFM n\u00ba 1.638\/2002, art. 2\u00ba, III)<\/td>\n<td>Organiza os prontu\u00e1rios e exige evolu\u00e7\u00e3o e prescri\u00e7\u00e3o di\u00e1rias dos internados (Res. CFM n\u00ba 2.147\/2016, art. 5\u00ba, II e III)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Perante quem responde<\/td>\n<td>CRM, vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria, Minist\u00e9rio P\u00fablico, Judici\u00e1rio e demais autoridades<\/td>\n<td>CRM, no \u00e2mbito de suas atribui\u00e7\u00f5es, e o corpo diretivo da institui\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Ac\u00famulo das fun\u00e7\u00f5es<\/td>\n<td colspan=\"2\">Permitido quando o corpo cl\u00ednico tem menos de 30 m\u00e9dicos e o diretor t\u00e9cnico \u00e9 eleito para a dire\u00e7\u00e3o cl\u00ednica (art. 8\u00ba, \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Em consult\u00f3rios e cl\u00ednicas pequenas, sem corpo cl\u00ednico organizado, a figura do diretor cl\u00ednico costuma n\u00e3o existir, e o diretor t\u00e9cnico concentra as responsabilidades. Nesse cen\u00e1rio, a organiza\u00e7\u00e3o do prontu\u00e1rio passa a depender diretamente dele, inclusive para atender pedidos de c\u00f3pia, tema de <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/responsabilidade-civil\/paciente-pediu-o-prontuario-o-que-fazer\/\">paciente pediu o prontu\u00e1rio<\/a>.<\/p>\n<h2>Qual a carga hor\u00e1ria de um RT m\u00e9dico?<\/h2>\n<p>As normas federais do CFM consultadas para este texto n\u00e3o fixam uma carga hor\u00e1ria m\u00ednima, em horas, para o diretor t\u00e9cnico. O que a Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.147\/2016 exige \u00e9 que a dire\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e a dire\u00e7\u00e3o cl\u00ednica sejam exercidas presencialmente (Anexo, art. 11). Na pr\u00e1tica, isso afasta o modelo em que o m\u00e9dico apenas empresta o nome ao registro, sem acompanhar o funcionamento do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Para alguns tipos de servi\u00e7o privado, o CFM passou a detalhar a presen\u00e7a. A <a href=\"https:\/\/sistemas.cfm.org.br\/normas\/arquivos\/resolucoes\/BR\/2026\/2467_2026.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.467\/2026<\/a>, publicada no Di\u00e1rio Oficial de 13 de agosto de 2026, trata da dire\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica em unidades de per\u00edcia m\u00e9dica, auditoria m\u00e9dica, sa\u00fade do trabalhador, medicina do tr\u00e1fego, unidades transfusionais, bancos de sangue e postos de coleta. Ela determina supervis\u00e3o presencial ao menos uma vez a cada 30 dias e semanal em formato h\u00edbrido com a equipe local, com registro em ata dos principais atos quando a supervis\u00e3o for remota (art. 4\u00ba, \u00a7\u00a7 5\u00ba e 6\u00ba). A resolu\u00e7\u00e3o prev\u00ea entrada em vigor 90 dias ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o (art. 5\u00ba).<\/p>\n<p>Fora dessas hip\u00f3teses, a defini\u00e7\u00e3o do tempo de dedica\u00e7\u00e3o fica com o contrato, o regimento interno e as normas do CRM de cada estado, que devem ser consultadas. O crit\u00e9rio que importa, num eventual processo, \u00e9 se a presen\u00e7a foi suficiente para cumprir os deveres do art. 2\u00ba: quem n\u00e3o est\u00e1 no servi\u00e7o dificilmente consegue demonstrar que zelou pelas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e pela escala.<\/p>\n<h2>Em quantos estabelecimentos o m\u00e9dico pode ser RT?<\/h2>\n<p>Pela regra geral, o m\u00e9dico pode ser diretor t\u00e9cnico ou diretor cl\u00ednico em at\u00e9 duas institui\u00e7\u00f5es, p\u00fablicas ou privadas, mesmo quando se tratar de filiais da mesma institui\u00e7\u00e3o (Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.147\/2016, Anexo, art. 8\u00ba). H\u00e1 tr\u00eas ressalvas nas normas do CFM:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Pessoa jur\u00eddica de car\u00e1ter individual<\/strong>, em que o m\u00e9dico \u00e9 respons\u00e1vel pela pr\u00f3pria atua\u00e7\u00e3o profissional, fica fora do limite (art. 8\u00ba, \u00a7 1\u00ba).<\/li>\n<li><strong>Unidades p\u00fablicas<\/strong> listadas na <a href=\"https:\/\/sistemas.cfm.org.br\/normas\/arquivos\/resolucoes\/BR\/2015\/2127_2015.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.127\/2015<\/a>, como Postos de Sa\u00fade da Fam\u00edlia, Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade, Caps I e II e Caps i, admitem um diretor t\u00e9cnico para at\u00e9 10 unidades, sem ultrapassar 30 m\u00e9dicos no conjunto (art. 4\u00ba).<\/li>\n<li><strong>Determinados servi\u00e7os privados<\/strong> listados na Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.467\/2026 ter\u00e3o regra semelhante, de at\u00e9 10 unidades e 30 m\u00e9dicos, e, na sa\u00fade do trabalhador, at\u00e9 3 unidades por m\u00e9dico do trabalho (art. 4\u00ba e \u00a7 1\u00ba), a partir da vig\u00eancia da norma.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A exig\u00eancia de t\u00edtulo tamb\u00e9m conta. Para dirigir servi\u00e7o especializado, o diretor t\u00e9cnico ou cl\u00ednico precisa da titula\u00e7\u00e3o na especialidade correspondente, registrada no CRM; em estabelecimentos n\u00e3o especializados, basta a gradua\u00e7\u00e3o em medicina (Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.147\/2016, Anexo, art. 9\u00ba e \u00a7 3\u00ba).<\/p>\n<h2>Como assumir e como deixar a responsabilidade t\u00e9cnica?<\/h2>\n<p>A responsabilidade t\u00e9cnica \u00e9 assumida com o pedido de registro ou cadastro do estabelecimento no CRM, feito pelo pr\u00f3prio m\u00e9dico respons\u00e1vel t\u00e9cnico (Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 1.980\/2011, art. 5\u00ba), e s\u00f3 termina quando o Conselho toma conhecimento do afastamento. Esse segundo ponto \u00e9 o que mais exp\u00f5e m\u00e9dicos que deixam uma cl\u00ednica.<\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 1.980\/2011 estabelece que a responsabilidade t\u00e9cnica &#8220;somente cessar\u00e1&#8221; quando o CRM tomar conhecimento do afastamento do m\u00e9dico, por comunica\u00e7\u00e3o escrita dele mesmo ou da empresa (art. 10). A empresa deve substituir o diretor t\u00e9cnico ou cl\u00ednico no prazo de 24 horas do impedimento, suspens\u00e3o ou demiss\u00e3o, comunicando o Conselho no mesmo prazo e tamb\u00e9m a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria (art. 11). Se o RT for s\u00f3cio, s\u00f3 pode pedir a baixa informando o nome e o CRM do substituto (art. 12). A Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.147\/2016 acrescenta que quem deixa o cargo deve comunicar o fato imediatamente ao CRM, por escrito e sob protocolo (Anexo, art. 10).<\/p>\n<p>Ao sair da fun\u00e7\u00e3o, a sequ\u00eancia que protege o m\u00e9dico \u00e9 esta:<\/p>\n<ol>\n<li>comunicar a sa\u00edda por escrito ao CRM, com protocolo, sem depender da empresa;<\/li>\n<li>comunicar a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria, que precisa ser notificada da altera\u00e7\u00e3o de RT (RDC Anvisa n\u00ba 63\/2011, art. 14, par\u00e1grafo \u00fanico);<\/li>\n<li>guardar c\u00f3pia dos protocolos e da data efetiva da sa\u00edda;<\/li>\n<li>pedir que o estabelecimento retire seu nome de an\u00fancios, site e placas, j\u00e1 que o CEM exige o nome do diretor t\u00e9cnico nesses materiais (art. 117, par\u00e1grafo \u00fanico);<\/li>\n<li>se for s\u00f3cio, alinhar a indica\u00e7\u00e3o do substituto antes de formalizar a baixa.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Exemplo hipot\u00e9tico:<\/strong> uma m\u00e9dica deixa a dire\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de uma cl\u00ednica de imagem em mar\u00e7o, por acordo verbal com os s\u00f3cios. Ningu\u00e9m comunica o CRM. Em setembro, uma fiscaliza\u00e7\u00e3o encontra falhas na escala e no registro de equipamentos. Como a responsabilidade t\u00e9cnica s\u00f3 cessa com a comunica\u00e7\u00e3o ao Conselho, a m\u00e9dica pode ser chamada a explicar falhas de um per\u00edodo em que j\u00e1 n\u00e3o estava no servi\u00e7o. A quest\u00e3o tamb\u00e9m aparece na sa\u00edda de s\u00f3cios, tratada em <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/para-gestores\/socio-medico-e-socio-investidor-o-que-muda\/\">s\u00f3cio m\u00e9dico e s\u00f3cio investidor<\/a>.<\/p>\n<h2>Quais s\u00e3o as responsabilidades \u00e9tica, civil e sanit\u00e1ria do RT?<\/h2>\n<p>O RT m\u00e9dico responde em tr\u00eas frentes diferentes, cada uma com seu fundamento e seu foro: a \u00e9tica, perante o CRM; a civil, perante o Judici\u00e1rio; e a sanit\u00e1ria, perante a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria. A mesma falha pode gerar consequ\u00eancias nas tr\u00eas ao mesmo tempo.<\/p>\n<h3>Responsabilidade \u00e9tica<\/h3>\n<p>A responsabilidade \u00e9tica do diretor t\u00e9cnico \u00e9 a mais direta. A Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.147\/2016 o torna respons\u00e1vel por faltas \u00e9ticas decorrentes de defici\u00eancias materiais, instrumentais e t\u00e9cnicas da institui\u00e7\u00e3o (Anexo, art. 2\u00ba, \u00a7 3\u00ba, II), e a Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 1.980\/2011 o faz responder eticamente pelas informa\u00e7\u00f5es prestadas aos Conselhos (art. 9\u00ba). O <a href=\"https:\/\/sistemas.cfm.org.br\/normas\/arquivos\/resolucoes\/BR\/2018\/2217_2018.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica<\/a> veda ao m\u00e9dico em cargo de dire\u00e7\u00e3o deixar de assegurar os direitos dos m\u00e9dicos e as condi\u00e7\u00f5es adequadas para o desempenho \u00e9tico da medicina (art. 19). Por isso, a pr\u00f3pria resolu\u00e7\u00e3o recomenda documentar as provid\u00eancias tomadas, como no caso do repasse de honor\u00e1rios (art. 2\u00ba, \u00a7 3\u00ba, VII). Como o processo \u00e9tico se desenvolve est\u00e1 descrito em <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/etica-medica\/processo-etico-conselhos-profissionais-de-saude\/\">processo \u00e9tico nos conselhos de sa\u00fade<\/a>.<\/p>\n<h3>Responsabilidade civil<\/h3>\n<p>Na esfera civil, quem responde pelo servi\u00e7o perante o paciente \u00e9, em regra, o estabelecimento. O <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078compilado.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo de Defesa do Consumidor<\/a> prev\u00ea que o fornecedor de servi\u00e7os responde, independentemente de culpa, pelos danos causados por defeitos na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o (art. 14, caput), e que a responsabilidade pessoal dos profissionais liberais \u00e9 apurada mediante verifica\u00e7\u00e3o de culpa (art. 14, \u00a7 4\u00ba). As normas consultadas n\u00e3o preveem que o diretor t\u00e9cnico responda pessoalmente, sem culpa, por todo ato da equipe; a discuss\u00e3o sobre sua responsabilidade individual passa pela demonstra\u00e7\u00e3o de falha no cumprimento dos pr\u00f3prios deveres. O regime da cl\u00ednica e do hospital \u00e9 desenvolvido em <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/responsabilidade-civil\/responsabilidade-civil-clinica-hospital-erro-medico\/\">responsabilidade de cl\u00ednicas e hospitais<\/a> e em <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/responsabilidade-civil\/erro-medico-relacao-de-consumo-cdc\/\">erro m\u00e9dico e rela\u00e7\u00e3o de consumo<\/a>.<\/p>\n<h3>Responsabilidade sanit\u00e1ria<\/h3>\n<p>Perante a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria, o diretor t\u00e9cnico j\u00e1 tinha um dever desde a origem da norma: no requerimento de licen\u00e7a de funcionamento, enviar \u00e0 autoridade sanit\u00e1ria a rela\u00e7\u00e3o dos profissionais que trabalham no estabelecimento e comunicar as altera\u00e7\u00f5es (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/1930-1949\/d20931.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Decreto n\u00ba 20.931\/1932<\/a>, art. 28). A RDC Anvisa n\u00ba 63\/2011 atribui \u00e0 dire\u00e7\u00e3o e ao respons\u00e1vel t\u00e9cnico a responsabilidade de planejar, implantar e garantir a qualidade dos processos (art. 18), e o descumprimento das suas regras constitui infra\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, nos termos da Lei n\u00ba 6.437\/1977, sem preju\u00edzo das responsabilidades civil, administrativa e penal (art. 66). O preparo para a inspe\u00e7\u00e3o \u00e9 o tema de <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/gestao-de-risco\/preparacao-fiscalizacao-sanitaria-clinica\/\">fiscaliza\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria na cl\u00ednica<\/a>.<\/p>\n<h2>O que o RT precisa acompanhar no prontu\u00e1rio e na telemedicina?<\/h2>\n<p>O RT precisa acompanhar o prontu\u00e1rio porque integra a cadeia de respons\u00e1veis por ele. A Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 1.638\/2002 atribui a responsabilidade pelo prontu\u00e1rio ao m\u00e9dico assistente e \u00e0 hierarquia m\u00e9dica da institui\u00e7\u00e3o, incluindo chefias de equipe, de cl\u00ednica e de setor at\u00e9 o diretor da divis\u00e3o m\u00e9dica e\/ou diretor t\u00e9cnico (art. 2\u00ba), e torna obrigat\u00f3ria a Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o de Prontu\u00e1rios nos estabelecimentos onde se presta assist\u00eancia m\u00e9dica (art. 3\u00ba). Na telemedicina, a Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.314\/2022 coloca os dados do atendimento sob guarda do m\u00e9dico, no consult\u00f3rio pr\u00f3prio, ou do diretor t\u00e9cnico, quando h\u00e1 empresa ou institui\u00e7\u00e3o envolvida (art. 3\u00ba, \u00a7 3\u00ba), e exige que as empresas de telemedicina tenham responsabilidade t\u00e9cnica de m\u00e9dico inscrito no CRM (art. 17).<\/p>\n<p>Isso significa que pedidos de c\u00f3pia, recusas e falhas de guarda podem chegar \u00e0 dire\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, como mostram os textos sobre <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/responsabilidade-civil\/negar-prontuario-medico-e-crime\/\">recusa do prontu\u00e1rio<\/a> e sobre <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/responsabilidade-civil\/artigo-37-do-codigo-de-etica-medica\/\">prescri\u00e7\u00e3o sem exame direto<\/a>, cuja preven\u00e7\u00e3o depende de fluxos que o RT ajuda a definir. A vis\u00e3o geral sobre o documento est\u00e1 no guia da ANADEM sobre <a href=\"https:\/\/adesaoonlineanadem.com.br\/blog\/o-que-e-prontuario-medico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o que \u00e9 prontu\u00e1rio m\u00e9dico<\/a>, e a organiza\u00e7\u00e3o dessas rotinas como programa de conformidade aparece no texto da Seguremed sobre <a href=\"https:\/\/seguremed.com.br\/blog\/compliance-regulatorio-em-clinicas-na-pratica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">compliance regulat\u00f3rio em cl\u00ednicas<\/a>.<\/p>\n<h2>Perguntas frequentes<\/h2>\n<h3>Todo consult\u00f3rio precisa de respons\u00e1vel t\u00e9cnico m\u00e9dico?<\/h3>\n<p>Todo estabelecimento de assist\u00eancia m\u00e9dica precisa de diretor t\u00e9cnico habilitado em medicina, conforme o art. 28 do Decreto n\u00ba 20.931\/1932. No consult\u00f3rio organizado como pessoa jur\u00eddica de car\u00e1ter individual, o pr\u00f3prio m\u00e9dico responde pela sua atua\u00e7\u00e3o, e a Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.147\/2016 exclui esse caso do limite de dois estabelecimentos. As exig\u00eancias de registro devem ser conferidas no CRM do estado.<\/p>\n<h3>O RT m\u00e9dico precisa ser especialista?<\/h3>\n<p>Depende do servi\u00e7o. Para dirigir servi\u00e7o assistencial especializado, a Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.147\/2016 exige t\u00edtulo de especialista na \u00e1rea correspondente, registrado no CRM (Anexo, art. 9\u00ba). Em estabelecimentos n\u00e3o especializados, basta a gradua\u00e7\u00e3o em medicina (art. 9\u00ba, \u00a7 3\u00ba). Supervisores e chefes de servi\u00e7os especializados tamb\u00e9m precisam do t\u00edtulo na especialidade oferecida (art. 9\u00ba, \u00a7 1\u00ba).<\/p>\n<h3>O diretor t\u00e9cnico pode ser tamb\u00e9m o diretor cl\u00ednico?<\/h3>\n<p>Pode, se o estabelecimento tiver corpo cl\u00ednico com menos de 30 m\u00e9dicos e se o diretor t\u00e9cnico for eleito para a dire\u00e7\u00e3o cl\u00ednica pelos m\u00e9dicos com direito a voto. As duas condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o no art. 8\u00ba, \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba, do Anexo da Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.147\/2016. Em institui\u00e7\u00f5es maiores, as fun\u00e7\u00f5es devem ser exercidas por m\u00e9dicos diferentes.<\/p>\n<h3>Quanto tempo depois de sair da cl\u00ednica o m\u00e9dico continua respons\u00e1vel?<\/h3>\n<p>At\u00e9 que o CRM tome conhecimento do afastamento. A Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 1.980\/2011 prev\u00ea que a responsabilidade t\u00e9cnica s\u00f3 cessa com essa comunica\u00e7\u00e3o escrita, feita pelo m\u00e9dico ou pela empresa (art. 10). Por isso, quem sai deve protocolar a comunica\u00e7\u00e3o no Conselho e notificar a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria, guardando os comprovantes, sem depender de que a cl\u00ednica o fa\u00e7a.<\/p>\n<h3>O RT responde pelo erro de outro m\u00e9dico da equipe?<\/h3>\n<p>N\u00e3o automaticamente. O erro t\u00e9cnico de um profissional \u00e9 apurado, em regra, pela culpa de quem praticou o ato (CDC, art. 14, \u00a7 4\u00ba), e o estabelecimento responde perante o paciente pelo defeito do servi\u00e7o (art. 14, caput). O diretor t\u00e9cnico pode responder quando a falha estiver ligada aos seus pr\u00f3prios deveres, como condi\u00e7\u00f5es materiais, habilita\u00e7\u00e3o da equipe ou lacunas na escala.<\/p>\n<p><script type=\"application\/ld+json\">{\n  \"@context\": \"https:\/\/schema.org\",\n  \"@type\": \"FAQPage\",\n  \"mainEntity\": [\n    {\n      \"@type\": \"Question\",\n      \"name\": \"Todo consult\u00f3rio precisa de respons\u00e1vel t\u00e9cnico m\u00e9dico?\",\n      \"acceptedAnswer\": {\n        \"@type\": \"Answer\",\n        \"text\": \"Todo estabelecimento de assist\u00eancia m\u00e9dica precisa de diretor t\u00e9cnico habilitado em medicina, conforme o art. 28 do Decreto n\u00ba 20.931\/1932. No consult\u00f3rio organizado como pessoa jur\u00eddica de car\u00e1ter individual, o pr\u00f3prio m\u00e9dico responde pela sua atua\u00e7\u00e3o, e a Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.147\/2016 exclui esse caso do limite de dois estabelecimentos. 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