{"id":2928,"date":"2026-07-30T14:30:00","date_gmt":"2026-07-30T14:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/?p=2928"},"modified":"2026-08-16T12:11:43","modified_gmt":"2026-08-16T15:11:43","slug":"erro-medico-obrigacao-de-meio-ou-de-resultado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/responsabilidade-civil\/erro-medico-obrigacao-de-meio-ou-de-resultado\/","title":{"rendered":"Erro m\u00e9dico ou intercorr\u00eancia? A diferen\u00e7a que a Justi\u00e7a faz (obriga\u00e7\u00e3o de meio x resultado)"},"content":{"rendered":"<p>Sim, a diferen\u00e7a existe e muda muito a forma como a Justi\u00e7a v\u00ea um caso. <strong>Erro m\u00e9dico n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que intercorr\u00eancia, e obriga\u00e7\u00e3o de meio n\u00e3o \u00e9 igual a obriga\u00e7\u00e3o de resultado.<\/strong> Na pr\u00e1tica, isso altera a leitura sobre culpa, nexo causal, prova e defesa do profissional.<\/p>\n<p>Eu vejo com frequ\u00eancia que muitos m\u00e9dicos acertam na conduta cl\u00ednica, mas falham no registro. E isso pesa. Quando surge uma demanda judicial, o debate raramente fica s\u00f3 no desfecho ruim. O foco passa a ser este: houve falha t\u00e9cnica, imprud\u00eancia, neglig\u00eancia ou imper\u00edcia? Ou ocorreu uma complica\u00e7\u00e3o previs\u00edvel, mesmo com atendimento adequado?<\/p>\n<p>\u00c9 justamente nesse ponto que o tema erro m\u00e9dico obriga\u00e7\u00e3o de meio ou de resultado ganha relevo. Em regra, a medicina trabalha com obriga\u00e7\u00e3o de meio. Ou seja, o m\u00e9dico se compromete a empregar t\u00e9cnica, dilig\u00eancia, informa\u00e7\u00e3o e cuidado, sem garantir cura. Em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, por\u00e9m, a obriga\u00e7\u00e3o pode ser vista como de resultado, como costuma ocorrer em certos procedimentos est\u00e9ticos e em alguns exames com entrega objetiva.<\/p>\n<p>Ao longo da minha experi\u00eancia, percebo que entender essa distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o serve apenas para litigar melhor. Serve para prevenir lit\u00edgios. E essa \u00e9 uma linha que acompanha o trabalho de Cassiano Oliveira, voltado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e \u00e0 gest\u00e3o de risco de profissionais da sa\u00fade.<\/p>\n<h2>O que separa erro m\u00e9dico de intercorr\u00eancia?<\/h2>\n<p>Erro m\u00e9dico \u00e9 a falha no ato profissional que decorre de conduta inadequada. Pode surgir por neglig\u00eancia, quando o cuidado esperado n\u00e3o foi adotado. Pode decorrer de imprud\u00eancia, quando h\u00e1 a\u00e7\u00e3o precipitada. Ou de imper\u00edcia, quando falta dom\u00ednio t\u00e9cnico.<\/p>\n<p><strong>Intercorr\u00eancia \u00e9 um evento adverso ou complica\u00e7\u00e3o que pode ocorrer mesmo com conduta correta, informa\u00e7\u00e3o adequada e t\u00e9cnica aceita.<\/strong><\/p>\n<p>Vou dar um exemplo simples. Um paciente faz um procedimento cir\u00fargico indicado, com exames pr\u00e9vios adequados, termo de consentimento claro e execu\u00e7\u00e3o correta. Ainda assim, desenvolve infec\u00e7\u00e3o, sangramento ou rea\u00e7\u00e3o individual inesperada, dentro dos riscos conhecidos da literatura. Isso, por si s\u00f3, n\u00e3o prova erro.<\/p>\n<p>Agora imagine outra cena. O mesmo paciente apresentava sinais cl\u00ednicos de risco, mas o prontu\u00e1rio n\u00e3o registra avalia\u00e7\u00e3o pr\u00e9-operat\u00f3ria suficiente, n\u00e3o h\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o clara, n\u00e3o se documenta monitoramento e a equipe ignora sinais de agravamento. Aqui, o caso pode sair do campo da intercorr\u00eancia e entrar no campo da falha assistencial.<\/p>\n<blockquote><p>Resultado ruim, sozinho, n\u00e3o prova culpa.<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 muito vista em per\u00edcias. Em <a href=\"https:\/\/revistas.usp.br\/sej\/pt_BR\/article\/view\/97134\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um estudo com per\u00edcias m\u00e9dicas judiciais<\/a>, em apenas parte dos casos foi poss\u00edvel estabelecer nexo causal entre atendimento e dano, com irregularidade no ato m\u00e9dico. Isso mostra algo que eu sempre refor\u00e7o: dano e erro n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos.<\/p>\n<h2>Por que a obriga\u00e7\u00e3o de meio \u00e9 a regra na medicina?<\/h2>\n<p>A medicina lida com organismo humano, resposta biol\u00f3gica vari\u00e1vel, ades\u00e3o imperfeita ao tratamento e fatores que escapam ao controle do profissional. Por isso, a regra geral \u00e9 a obriga\u00e7\u00e3o de meio.<\/p>\n<p><strong>Na obriga\u00e7\u00e3o de meio, o m\u00e9dico deve agir com t\u00e9cnica, prud\u00eancia, cuidado, informa\u00e7\u00e3o e acompanhamento compat\u00edveis com o caso concreto.<\/strong><\/p>\n<p>Em outras palavras, o compromisso \u00e9 com uma conduta correta, n\u00e3o com a promessa de cura ou sucesso absoluto. Isso vale para consultas, tratamentos cl\u00ednicos, cirurgias terap\u00eauticas e grande parte da pr\u00e1tica assistencial.<\/p>\n<p>Eu gosto de explicar isso de forma objetiva ao m\u00e9dico: a Justi\u00e7a costuma perguntar se voc\u00ea fez o que era esperado de um profissional cuidadoso, nas condi\u00e7\u00f5es daquele caso, com os recursos dispon\u00edveis e segundo a boa pr\u00e1tica. N\u00e3o pergunta apenas se o paciente melhorou.<\/p>\n<p>Essa l\u00f3gica ajuda a compreender por que \u00e1reas de maior risco cl\u00ednico n\u00e3o significam, por si, maior culpa. Em ortopedia, por exemplo, <a href=\"https:\/\/revistas.usp.br\/sej\/pt_BR\/article\/view\/194429\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um estudo sobre cirurgias de joelho<\/a> discutiu que complica\u00e7\u00f5es, falhas terap\u00eauticas e insatisfa\u00e7\u00e3o podem ocorrer sem que isso configure erro m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m por isso a documenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 detalhe administrativo. Ela \u00e9 parte da pr\u00f3pria defesa t\u00e9cnica. Em muitos casos que acompanho, o profissional at\u00e9 adotou a conduta correta, mas n\u00e3o registrou hip\u00f3teses diagn\u00f3sticas, riscos, orienta\u00e7\u00f5es, recusas ou evolu\u00e7\u00e3o. Sem esse lastro, a narrativa fica fr\u00e1gil.<\/p>\n<h2>Quando pode haver obriga\u00e7\u00e3o de resultado?<\/h2>\n<p>H\u00e1 hip\u00f3teses em que o debate jur\u00eddico se aproxima da obriga\u00e7\u00e3o de resultado. Isso aparece com frequ\u00eancia em procedimentos eletivos de finalidade est\u00e9tica e em atos cuja entrega \u00e9 mais objetiva e mensur\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Na obriga\u00e7\u00e3o de resultado, a expectativa jur\u00eddica sobre o desfecho tende a ser maior, e o insucesso exige do profissional explica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica mais robusta.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o significa responsabilidade autom\u00e1tica. Mas muda o ponto de partida da discuss\u00e3o. Se o paciente contratou um procedimento com forte promessa de transforma\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, por exemplo, a frustra\u00e7\u00e3o do resultado pode abrir espa\u00e7o para uma an\u00e1lise mais severa da informa\u00e7\u00e3o prestada, da publicidade, da sele\u00e7\u00e3o do paciente e da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na odontologia, esse debate \u00e9 antigo. <a href=\"https:\/\/revistas.usp.br\/sej\/pt_BR\/article\/view\/45888\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um artigo que sistematizou fundamentos para a obriga\u00e7\u00e3o de resultado do dentista<\/a> mostra como especialidade, natureza est\u00e9tica do ato e certas caracter\u00edsticas da atividade influenciam esse entendimento em alguns contextos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m costumo alertar para um ponto sens\u00edvel: exames e laudos. Em certos servi\u00e7os diagn\u00f3sticos, a obriga\u00e7\u00e3o pode ser vista de forma mais objetiva quanto \u00e0 entrega do exame, \u00e0 adequa\u00e7\u00e3o do processo e \u00e0 confiabilidade do resultado, sempre conforme o caso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ixymyhazbhztpjnlxmbd.supabase.co\/storage\/v1\/object\/images\/generated\/prontuario-consentimento-medico-1000.webp\" alt=\"Prontu\u00e1rio m\u00e9dico e termo de consentimento sobre mesa cl\u00ednica \"><\/p>\n<h2>Como isso muda a culpa e o \u00f4nus da prova?<\/h2>\n<p>Aqui est\u00e1 um dos pontos mais sens\u00edveis do tema. Quando se discute erro m\u00e9dico obriga\u00e7\u00e3o de meio ou de resultado, n\u00e3o se est\u00e1 apenas falando de teoria. Est\u00e1-se falando de quem precisa provar o qu\u00ea.<\/p>\n<p>Na obriga\u00e7\u00e3o de meio, em regra, o paciente precisa demonstrar:<\/p>\n<ul>\n<li>Que houve dano real,<\/li>\n<li>Que existiu falha na conduta,<\/li>\n<li>E que essa falha causou o dano.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Na obriga\u00e7\u00e3o de resultado, o insucesso pode gerar uma press\u00e3o probat\u00f3ria maior sobre o profissional ou sobre o servi\u00e7o, porque a expectativa contratada \u00e9 mais definida. A discuss\u00e3o passa a girar com mais for\u00e7a sobre excludentes, risco inerente, fato do paciente, limita\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica ou informa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via adequada.<\/p>\n<p><strong>Quanto mais objetiva parecer a promessa, maior tende a ser o peso da prova defensiva.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a publicidade m\u00e9dica merece tanto cuidado. O problema n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 no procedimento. Muitas vezes, ele come\u00e7a antes, na comunica\u00e7\u00e3o. Fotos, frases de garantia, promessa de perfei\u00e7\u00e3o e linguagem comercial agressiva podem distorcer a natureza da obriga\u00e7\u00e3o assumida.<\/p>\n<p>Essa realidade aparece em um cen\u00e1rio maior de judicializa\u00e7\u00e3o. <a href=\"https:\/\/revistas.usp.br\/sausoc\/pt_BR\/article\/view\/202818\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma pesquisa documental sobre decis\u00f5es judiciais do TJDFT entre 2002 e 2019<\/a> apontou crescimento expressivo das a\u00e7\u00f5es sobre erro m\u00e9dico. Eu entendo esse dado como um alerta: a pr\u00e1tica cl\u00ednica precisa caminhar junto com gest\u00e3o de risco.<\/p>\n<h2>Quais exemplos ajudam a entender melhor?<\/h2>\n<p>Eu prefiro exemplos concretos, porque eles tiram o tema do abstrato.<\/p>\n<p>No primeiro caso, um cl\u00ednico atende um idoso polimedicado, ajusta prescri\u00e7\u00e3o, orienta sinais de alerta e registra retorno. Ainda assim, ocorre evento adverso medicamentoso. Isso n\u00e3o basta para caracterizar erro. Ali\u00e1s, <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/anvisa\/pt-br\/assuntos\/noticias-anvisa\/2020\/boletim-de-farmacovigilancia-aborda-erros-de-medicacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dados divulgados pela Anvisa<\/a> indicam que cerca de 5% a 6% das hospitaliza\u00e7\u00f5es est\u00e3o relacionadas ao uso de medicamentos, com maior impacto em idosos. Nem todo evento adverso decorre de falha culposa.<\/p>\n<p>No segundo, um cirurgi\u00e3o realiza procedimento terap\u00eautico indicado, explica riscos usuais de trombose, sangramento e cicatriza\u00e7\u00e3o, documenta tudo e conduz o p\u00f3s-operat\u00f3rio de forma adequada. O paciente evolui com complica\u00e7\u00e3o prevista. Isso tende a ser lido como intercorr\u00eancia, n\u00e3o como erro.<\/p>\n<p>No terceiro, um procedimento est\u00e9tico \u00e9 vendido com promessa impl\u00edcita de resultado certo. O paciente tem expectativa alta, o consentimento \u00e9 gen\u00e9rico e o prontu\u00e1rio \u00e9 pobre. O desfecho final fica abaixo do esperado. Aqui, o campo jur\u00eddico se torna mais dif\u00edcil para a defesa.<\/p>\n<p>No quarto, h\u00e1 atua\u00e7\u00e3o em equipe. E isso gera outra d\u00favida comum: quem responde? Em algumas situa\u00e7\u00f5es, a responsabilidade ser\u00e1 individualizada; em outras, pode haver discuss\u00e3o sobre coordena\u00e7\u00e3o, supervis\u00e3o e divis\u00e3o de tarefas. Para quem deseja aprofundar esse ponto, eu sugiro a leitura de conte\u00fados do pr\u00f3prio Cassiano Oliveira sobre <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/responsabilidade-civil-2\/erro-medico-quem-responde-chefe-ou-equipe\/\">responsabilidade entre chefe e equipe<\/a>, al\u00e9m de textos sobre <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-medico\/erro-do-anestesista-o-cirurgiao-e-responsavel-entenda-a-decisao-do-stj-e-proteja-sua-pratica-medica\/\">a rela\u00e7\u00e3o entre erro do anestesista e responsabilidade do cirurgi\u00e3o<\/a> e <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-medico\/a-responsabilidade-civil-do-cirurgiao-em-caso-de-erro-do-anestesista-uma-analise-juridica\/\">a responsabilidade civil do cirurgi\u00e3o em caso de falha do anestesista<\/a>.<\/p>\n<h2>Por que prontu\u00e1rio e TCLE pesam tanto na defesa?<\/h2>\n<p>Eu digo isso sem exagero: muitos processos s\u00e3o decididos menos pelo que o m\u00e9dico diz anos depois e mais pelo que ele registrou no dia do atendimento.<\/p>\n<p><strong>Prontu\u00e1rio bom n\u00e3o serve s\u00f3 para assist\u00eancia. Serve para mostrar l\u00f3gica cl\u00ednica, cautela e continuidade do cuidado.<\/strong><\/p>\n<p>O prontu\u00e1rio deve revelar racioc\u00ednio. N\u00e3o apenas atos soltos. Deve registrar hip\u00f3tese diagn\u00f3stica, exame f\u00edsico, pedido de exames, riscos identificados, orienta\u00e7\u00e3o, retorno, intercorr\u00eancias, recusas do paciente e decis\u00f5es compartilhadas.<\/p>\n<p>O TCLE, por sua vez, n\u00e3o \u00e9 um formul\u00e1rio para colher assinatura. Ele precisa traduzir informa\u00e7\u00e3o clara, adequada ao caso e compreens\u00edvel ao paciente. Quando \u00e9 gen\u00e9rico demais, perde for\u00e7a. Quando conversa com o procedimento real, ajuda a demonstrar que o risco era conhecido, explicado e aceito.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 vi casos em que uma \u00fanica anota\u00e7\u00e3o bem feita mudou o rumo da per\u00edcia. E j\u00e1 vi o oposto. Um atendimento tecnicamente defens\u00e1vel, mas com registros t\u00e3o pobres que a defesa ficou exposta.<\/p>\n<blockquote><p>Quem registra bem, se defende melhor.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para reduzir exposi\u00e7\u00e3o, alguns pontos ajudam bastante:<\/p>\n<ul>\n<li>Descrever condutas e justificativas de forma leg\u00edvel e objetiva,<\/li>\n<li>Personalizar o consentimento conforme o procedimento e o perfil do paciente,<\/li>\n<li>Documentar orienta\u00e7\u00f5es pr\u00e9 e p\u00f3s-procedimento,<\/li>\n<li>Registrar recusas, faltas e quebra de seguimento,<\/li>\n<li>Alinhar comunica\u00e7\u00e3o da equipe e conte\u00fado do prontu\u00e1rio.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Quem atua com preven\u00e7\u00e3o de risco sabe que isso diminui ru\u00eddo assistencial e jur\u00eddico. Nesse ponto, o conte\u00fado de Cassiano Oliveira sobre <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-medico\/erro-medico-prevenir-reduzir-riscos-pratica-clinica\/\">preven\u00e7\u00e3o de erro m\u00e9dico e redu\u00e7\u00e3o de riscos na pr\u00e1tica cl\u00ednica<\/a> conversa diretamente com a rotina de consult\u00f3rios e cl\u00ednicas. O mesmo vale para a leitura sobre <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-medico\/judicializacao-medicina-seguro-responsabilidade-civil\/\">judicializa\u00e7\u00e3o da medicina, seguro e responsabilidade civil<\/a>, que ajuda o m\u00e9dico a entender o cen\u00e1rio com mais clareza.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ixymyhazbhztpjnlxmbd.supabase.co\/storage\/v1\/object\/images\/generated\/reuniao-medico-advogado-367.webp\" alt=\"M\u00e9dico e advogado revisando documentos em reuni\u00e3o \"><\/p>\n<h2>O que eu concluo sobre esse tema?<\/h2>\n<p>Eu concluo que a distin\u00e7\u00e3o entre erro e intercorr\u00eancia precisa estar clara na mente do m\u00e9dico antes do conflito, n\u00e3o depois. <strong>A Justi\u00e7a n\u00e3o pune complica\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel, mas pode responsabilizar a falha que era evit\u00e1vel e foi mal documentada.<\/strong><\/p>\n<p>Quando a obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 de meio, o centro da avalia\u00e7\u00e3o est\u00e1 na adequa\u00e7\u00e3o da conduta. Quando h\u00e1 obriga\u00e7\u00e3o de resultado, a cobran\u00e7a sobre o desfecho e sobre a prova costuma ser maior. Em ambos os cen\u00e1rios, prontu\u00e1rio consistente, TCLE individualizado e comunica\u00e7\u00e3o \u00e9tica ajudam muito.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea atua na sa\u00fade e quer estruturar melhor sua prote\u00e7\u00e3o profissional, vale conhecer o trabalho de Cassiano Oliveira, que une direito da sa\u00fade, gest\u00e3o de risco e defesa t\u00e9cnica para m\u00e9dicos, dentistas, cl\u00ednicas e empresas do setor.<\/p>\n<h2 class=\"question\">Perguntas frequentes<\/h2>\n<h3 class=\"question\">O que \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o de meio na medicina?<\/h3>\n<p class=\"answer\"><strong>Obriga\u00e7\u00e3o de meio \u00e9 o dever de empregar t\u00e9cnica, cuidado, prud\u00eancia e acompanhamento adequados, sem garantir cura ou sucesso absoluto.<\/strong> Essa \u00e9 a regra geral da medicina, porque o resultado depende de muitos fatores biol\u00f3gicos e cl\u00ednicos que n\u00e3o est\u00e3o sob controle total do profissional.<\/p>\n<h3 class=\"question\">Qual a diferen\u00e7a entre erro m\u00e9dico e intercorr\u00eancia?<\/h3>\n<p class=\"answer\">Erro m\u00e9dico envolve falha na conduta, como neglig\u00eancia, imprud\u00eancia ou imper\u00edcia. Intercorr\u00eancia \u00e9 uma complica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, previs\u00edvel ou inerente ao ato m\u00e9dico, que pode ocorrer mesmo quando o atendimento foi correto e bem indicado. O que separa um do outro \u00e9 a presen\u00e7a, ou n\u00e3o, de culpa profissional.<\/p>\n<h3 class=\"question\">Quando o m\u00e9dico tem obriga\u00e7\u00e3o de resultado?<\/h3>\n<p class=\"answer\">Isso pode ocorrer em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, com mais frequ\u00eancia em procedimentos de finalidade est\u00e9tica e em alguns atos com entrega objetiva. Nesses casos, a expectativa jur\u00eddica sobre o desfecho \u00e9 maior, embora isso n\u00e3o signifique responsabilidade autom\u00e1tica em todo insucesso.<\/p>\n<h3 class=\"question\">Como a Justi\u00e7a avalia erro m\u00e9dico?<\/h3>\n<p class=\"answer\"><strong>A Justi\u00e7a costuma avaliar dano, culpa, nexo causal, informa\u00e7\u00e3o prestada e qualidade da documenta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/strong> A per\u00edcia m\u00e9dica tem papel central. O julgador observa se a conduta adotada foi compat\u00edvel com a boa pr\u00e1tica, com o quadro do paciente e com os registros do prontu\u00e1rio e do consentimento.<\/p>\n<h3 class=\"question\">Quais s\u00e3o exemplos de obriga\u00e7\u00e3o de resultado?<\/h3>\n<p class=\"answer\">Exemplos discutidos com frequ\u00eancia s\u00e3o alguns procedimentos est\u00e9ticos eletivos, certas atua\u00e7\u00f5es odontol\u00f3gicas de natureza est\u00e9tica e alguns exames ou servi\u00e7os com entrega objetiva e mensur\u00e1vel. A defini\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, depende do caso concreto, da expectativa criada, do contrato assistencial e da forma como o procedimento foi apresentado ao paciente.<\/p>\n<p><!-- medamparo-crosslink --><\/p>\n<div style=\"border:1px solid #e5ecf3;border-left:4px solid #C9A84C;background:#f7fafc;border-radius:0 12px 12px 0;padding:18px 22px;margin:28px 0;\">\n<p style=\"margin:0 0 6px 0;font-weight:700;color:#0C1B33;\">Precisa disso no dia a dia do consult\u00f3rio?<\/p>\n<p style=\"margin:0;color:#42566B;\">O <strong>MedAmparo<\/strong> \u00e9 o assistente jur\u00eddico-documental para m\u00e9dicos e dentistas \u2014 ajuda a provar que uma complica\u00e7\u00e3o foi intercorr\u00eancia, e n\u00e3o erro, com fundamenta\u00e7\u00e3o rastre\u00e1vel em normas do CFM. <a href=\"https:\/\/medamparo.com.br\/blog\/erro-medico-ou-intercorrencia\" style=\"color:#9C7C2C;font-weight:600;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ver como funciona &rarr;<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda a distin\u00e7\u00e3o entre erro m\u00e9dico e intercorr\u00eancia, obriga\u00e7\u00e3o de meio x resultado e seus impactos legais na pr\u00e1tica cl\u00ednica.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2929,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"_kad_post_classname":"","footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-2928","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-responsabilidade-civil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2928","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2928"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2928\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3024,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2928\/revisions\/3024"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}