{"id":1926,"date":"2026-06-24T15:00:00","date_gmt":"2026-06-24T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/?p=1926"},"modified":"2026-06-24T12:00:06","modified_gmt":"2026-06-24T15:00:06","slug":"dever-atendimento-medico-recusa-auxilio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/dever-atendimento-medico-recusa-auxilio\/","title":{"rendered":"Dever de atendimento: quando o m\u00e9dico n\u00e3o pode recusar aux\u00edlio"},"content":{"rendered":"<p>Entre as d\u00favidas mais frequentes de quem atua na medicina, o \u201cdever de atendimento\u201d costuma ser tema central. Isso porque a linha entre obriga\u00e7\u00e3o legal, \u00e9tica e o direito do profissional \u00e9, muitas vezes, t\u00eanue. Em mais de 15 anos trabalhando com m\u00e9dicos, constatei como esse assunto \u00e9 cercado de incertezas, especialmente em situa\u00e7\u00f5es de risco iminente de vida e em contextos onde a recusa ao atendimento pode acarretar graves consequ\u00eancias.<\/p>\n<h2><strong>Entendendo o dever de atendimento m\u00e9dico<\/strong><\/h2>\n<p>O dever de atendimento n\u00e3o \u00e9 apenas uma diretriz legal: \u00e9 tamb\u00e9m um pilar \u00e9tico para toda a pr\u00e1tica m\u00e9dica. De maneira geral, o m\u00e9dico tem autonomia para aceitar ou recusar um paciente, <strong>mas a recusa encontra limites claros diante de urg\u00eancias, emerg\u00eancias e quando n\u00e3o h\u00e1 outro profissional dispon\u00edvel para o atendimento<\/strong>.<\/p>\n<p>Na pesquisa realizada pela Vital Strategies e Umane em parceria t\u00e9cnica com a Universidade Federal de Pelotas, ficou evidente que 62,3% dos brasileiros que necessitaram de atendimento m\u00e9dico na Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0 Sa\u00fade no \u00faltimo ano n\u00e3o buscaram o servi\u00e7o. Entre os motivos est\u00e3o superlota\u00e7\u00e3o, demora, burocracia, automedica\u00e7\u00e3o e a cren\u00e7a de que o problema n\u00e3o era grave (<a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/saude\/62-dos-brasileiros-nao-procuram-atendimento-medico-quando-precisam\/\" target=\"_blank\">conforme estudo divulgado pela CNN Brasil<\/a>). Fico atento a esses dados pois mostram que o sistema, muitas vezes, coloca o profissional em situa\u00e7\u00f5es-limite e refor\u00e7a a import\u00e2ncia do conhecimento claro das obriga\u00e7\u00f5es legais.<\/p>\n<h2><strong>Marco legal e \u00e9tico do dever de atendimento<\/strong><\/h2>\n<p>Em minha experi\u00eancia, percebo que muitos profissionais conhecem superficialmente os dispositivos legais, mas pouco aplicam isso no cotidiano. A obriga\u00e7\u00e3o de prestar atendimento est\u00e1 prevista no C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica, especialmente nos artigos 22 e 37. Al\u00e9m disso, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira prev\u00ea o crime de omiss\u00e3o de socorro, que pode recair sobre o m\u00e9dico que se omite em situa\u00e7\u00f5es de risco concreto \u00e0 sa\u00fade ou vida de algu\u00e9m.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Artigo 22 do C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica<\/strong>: \u201c\u00c9 vedado ao m\u00e9dico abandonar paciente sob seus cuidados.\u201d<\/li>\n<li><strong>Artigo 37<\/strong>: \u201c\u00c9 vedado ao m\u00e9dico: Deixar de atender em situa\u00e7\u00f5es de urg\u00eancia e emerg\u00eancia, quando n\u00e3o houver outro m\u00e9dico ou servi\u00e7o m\u00e9dico dispon\u00edvel.\u201d<\/li>\n<li><strong>Artigo 135 do C\u00f3digo Penal<\/strong>: criminaliza a omiss\u00e3o de socorro, em especial para profissionais cujo dever jur\u00eddico de agir \u00e9 comprovado.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o do dever, por\u00e9m, vai al\u00e9m do texto normativo. Envolve sensibilidade, prud\u00eancia e responsabilidade.<\/p>\n<blockquote><p>Quando o m\u00e9dico recusa atendimento em uma emerg\u00eancia, coloca em risco n\u00e3o s\u00f3 o paciente, mas sua pr\u00f3pria carreira.<\/p><\/blockquote>\n<h2><strong>Quando o m\u00e9dico \u00e9 obrigado a atender?<\/strong><\/h2>\n<p>Entender as situa\u00e7\u00f5es em que o atendimento se torna obrigat\u00f3rio \u00e9 fundamental para que o profissional evite penalidades e atue em conformidade com a lei e a \u00e9tica. Posso resumir os principais contextos a seguir:<\/p>\n<h3><strong>1. Casos de urg\u00eancia e emerg\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<p><strong>O m\u00e9dico n\u00e3o pode recusar o atendimento quando estiver diante de uma situa\u00e7\u00e3o que ameace diretamente a vida ou a sa\u00fade do paciente<\/strong>. Isso \u00e9 v\u00e1lido em qualquer ambiente: p\u00fablicos ou privados, plant\u00e3o, pronto-socorro ou consult\u00f3rio.<\/p>\n<p>J\u00e1 testemunhei m\u00e9dicos atendendo em estacionamentos de hospitais, ambul\u00e2ncias improvisadas e at\u00e9 mesmo na rua, quando a urg\u00eancia assim exigiu. Nessas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o h\u00e1 brecha para justificativas. O dever de salvar a vida \u00e9 priorit\u00e1rio e inquestion\u00e1vel.<\/p>\n<h3><strong>2. Aus\u00eancia de outro profissional dispon\u00edvel<\/strong><\/h3>\n<p>Quando o m\u00e9dico \u00e9 o \u00fanico dispon\u00edvel para prestar socorro, ainda que fora do hor\u00e1rio de trabalho ou fora do hospital, <strong>a recusa pode configurar omiss\u00e3o de socorro<\/strong>. Esse ponto \u00e9 especialmente relevante em comunidades menores, plant\u00f5es noturnos ou eventos fora do ambiente hospitalar.<\/p>\n<h3><strong>3. Proibi\u00e7\u00e3o de recusa por motivos discriminat\u00f3rios<\/strong><\/h3>\n<p>Recusar atendimento em raz\u00e3o de ra\u00e7a, sexo, orienta\u00e7\u00e3o sexual, religi\u00e3o, nacionalidade ou qualquer forma de preconceito \u00e9 proibido pelo C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica e pode gerar responsabiliza\u00e7\u00e3o \u00e9tica, civil e at\u00e9 criminal.<\/p>\n<blockquote><p>Nenhuma convic\u00e7\u00e3o particular pode se sobrepor ao direito de ser atendido com dignidade e respeito.<\/p><\/blockquote>\n<h3><strong>4. Situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas durante o plant\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>O plantonista tem o dever de atender todos os pacientes durante seu per\u00edodo de plant\u00e3o, mesmo ap\u00f3s o t\u00e9rmino do seu hor\u00e1rio, caso o paciente j\u00e1 tenha ingressado no servi\u00e7o de sa\u00fade. J\u00e1 escrevi sobre <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-medico\/a-responsabilidade-penal-do-medico-o-dever-de-agir-dos-plantonistas\/\" target=\"_blank\">responsabilidade penal do plantonista<\/a>, e recomendo a leitura para detalhes espec\u00edficos sobre esse tema delicado.<\/p>\n<h2><strong>Quando a recusa \u00e9 permitida?<\/strong><\/h2>\n<p>H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que cabe ao m\u00e9dico recusar, sim, realizar um atendimento, mas sempre fundamentando sua decis\u00e3o e realizando o encaminhamento adequado.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Incompatibilidade t\u00e9cnica<\/strong>: quando o caso ultrapassa sua especialidade ou preparo.<\/li>\n<li><strong>Rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente prejudicada<\/strong>: em situa\u00e7\u00f5es de grave quebra de confian\u00e7a, pode haver recusa, desde que n\u00e3o haja urg\u00eancia ou risco manifesto de agravamento do quadro.<\/li>\n<li><strong>Motivos pessoais relevantes<\/strong>: como sobrecarga f\u00edsica ou emocional, por\u00e9m, tamb\u00e9m precisam ser documentados e n\u00e3o se aplicam em urg\u00eancias.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Em todos os casos, \u00e9 essencial que o m\u00e9dico explique por escrito o motivo do n\u00e3o atendimento e recomende o encaminhamento a outro profissional. A aus\u00eancia desse cuidado pode provocar inseguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/ixymyhazbhztpjnlxmbd.supabase.co\/storage\/v1\/object\/images\/generated\/medico-atendendo-emergencia-hospital-640.webp\" alt=\"M\u00e9dico atende paciente em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia em hospital \" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\">Neste <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/recusa-atendimento-medico-permitida-consequencias\/\" target=\"_blank\">artigo sobre recusa permitida<\/a>, aprofundo as condi\u00e7\u00f5es legais e as consequ\u00eancias de uma recusa fundamentada.<\/p>\n<h2><strong>Omiss\u00e3o de socorro: riscos jur\u00eddicos e consequ\u00eancias<\/strong><\/h2>\n<p>Costumo alertar m\u00e9dicos sobre o quanto a an\u00e1lise do caso concreto \u00e9 importante. <strong>A omiss\u00e3o de socorro ocorre quando o m\u00e9dico, podendo agir, deixa de prestar o atendimento essencial em situa\u00e7\u00f5es de risco<\/strong>.<\/p>\n<p>O C\u00f3digo Penal prev\u00ea pena de deten\u00e7\u00e3o de um a seis meses, ou multa, para quem deixa de prestar assist\u00eancia em casos necess\u00e1rios. Se do fato resulta les\u00e3o grave ou morte, a pena \u00e9 aumentada.<\/p>\n<blockquote><p>Ignorar o dever de atender pode arruinar uma carreira constru\u00edda ao longo de d\u00e9cadas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m das consequ\u00eancias penais, o m\u00e9dico pode responder civilmente por danos causados ao paciente ou seus familiares e sofrer processo \u00e9tico-disciplinar no Conselho Regional de Medicina.<\/p>\n<p>Uma consulta jur\u00eddica preventiva, parte dos servi\u00e7os oferecidos em minha consultoria, costuma evitar que situa\u00e7\u00f5es simples se tornem processuais, desgastantes e, muitas vezes, devastadoras do ponto de vista profissional e pessoal.<\/p>\n<h2><strong>Implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas: o compromisso com o paciente<\/strong><\/h2>\n<p>Atuar com base no respeito ao ser humano \u00e9 a ess\u00eancia do juramento de Hip\u00f3crates e fundamento da boa medicina. <strong>O profissional precisa estar sempre atento ao princ\u00edpio da benefic\u00eancia e n\u00e3o malefic\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n<p>Negar atendimento sem raz\u00e3o leg\u00edtima viola n\u00e3o s\u00f3 normas, mas a confian\u00e7a que a sociedade deposita na profiss\u00e3o m\u00e9dica. Esse ponto \u00e9 defendido em v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es do Conselho Federal de Medicina e nos debates sobre <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/nota-publica-soberania-do-medico\/\" target=\"_blank\">soberania m\u00e9dica frente \u00e0s press\u00f5es por atendimento<\/a>.<\/p>\n<p>Em tempos de superlota\u00e7\u00e3o, ansiedade social e judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, como abordo em meu artigo sobre <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/judicializacao-da-saude-brasil-causas-efeitos-tendencias-futuras\/\" target=\"_blank\">judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade no Brasil<\/a>, ser transparente, registrando cada recusa fundamentada e comunicando prontamente os gestores, \u00e9 a melhor forma de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>Transpar\u00eancia e di\u00e1logo salvam m\u00e9dicos e pacientes.<\/p><\/blockquote>\n<h2><strong>O registro correto: blindagem jur\u00eddica e valoriza\u00e7\u00e3o do ato m\u00e9dico<\/strong><\/h2>\n<p>Uma falha comum que vejo no dia a dia \u00e9 a aus\u00eancia de registro detalhado das condi\u00e7\u00f5es do atendimento ou da recusa. O preenchimento correto do prontu\u00e1rio \u00e9 a melhor defesa do m\u00e9dico, servindo tanto para comprovar que cumpriu seu dever, quanto para justificar eventuais recusas em situa\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas.<\/p>\n<ul>\n<li>Detalhar sintomas relatados, estado geral do paciente e procedimentos adotados;<\/li>\n<li>Informar motivos e encaminhamentos em caso de recusa;<\/li>\n<li>Solicitar o consentimento livre e esclarecido do paciente, se poss\u00edvel;<\/li>\n<li>Comunicar a recusa \u00e0 equipe ou superior imediato.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Esse cuidado evita d\u00favidas e protege o profissional, em linha com os princ\u00edpios que compartilho nos conte\u00fados do projeto Cassiano Oliveira, voltados \u00e0 gest\u00e3o estrat\u00e9gica do risco e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/ixymyhazbhztpjnlxmbd.supabase.co\/storage\/v1\/object\/images\/generated\/medico-anotando-prontuario-consultorio-520.webp\" alt=\"M\u00e9dico fazendo anota\u00e7\u00f5es em prontu\u00e1rio no consult\u00f3rio \" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\">Texto detalhado sobre riscos e registro correto pode ser consultado no artigo sobre <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/recusa-de-tratamento-medico-direitos-riscos-registro-correto\/\" target=\"_blank\">recusa de tratamento m\u00e9dico: direitos, riscos e registro correto<\/a>.<\/p>\n<h2><strong>Casos pr\u00e1ticos e experi\u00eancias na \u00e1rea<\/strong><\/h2>\n<p>Ao longo da minha trajet\u00f3ria em consultoria jur\u00eddica para a sa\u00fade, j\u00e1 acompanhei situa\u00e7\u00f5es como:<\/p>\n<ul>\n<li>M\u00e9dico de plant\u00e3o recusando atendimento a paciente gestante com emerg\u00eancia obst\u00e9trica, resultando em processo \u00e9tico e judicial;<\/li>\n<li>Cl\u00ednico em UPA sozinho no turno, sobrecarregado, mas ainda assim obrigado a prestar o socorro m\u00ednimo aos pacientes cr\u00edticos;<\/li>\n<li>Profissional expondo-se ao risco pessoal por atender v\u00edtima de viol\u00eancia em via p\u00fablica, por ser o \u00fanico presente e reconhecido por ali.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Em todos esses exemplos, ficou claro que o compromisso \u00e9tico e a correta documenta\u00e7\u00e3o dos fatos fizeram a diferen\u00e7a, muitas vezes, evitando condena\u00e7\u00f5es ou desgastes maiores.<\/p>\n<h2><strong>Desafios atuais e o futuro do dever de atendimento<\/strong><\/h2>\n<p>O contexto brasileiro, com filas, superlota\u00e7\u00e3o e escassez de recursos, amplia os dilemas do profissional. Dados do estudo j\u00e1 citado da UFPel mostram que o excesso de burocracia e tempo de espera afastam o cidad\u00e3o do atendimento, colocando ainda mais press\u00e3o sobre quem atua na linha de frente.<\/p>\n<p>Tenho visto um movimento forte de busca por orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, seja para blindar a atua\u00e7\u00e3o individual, seja para apoiar institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade na cria\u00e7\u00e3o de protocolos, fluxos claros e programas de educa\u00e7\u00e3o continuada.<\/p>\n<blockquote><p>Conhecimento jur\u00eddico \u00e9 ferramenta de prote\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o para o m\u00e9dico.<\/p><\/blockquote>\n<h2><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h2>\n<p>O dever de atendimento est\u00e1 na ess\u00eancia da medicina, sendo delimitado pelas normas legais e \u00e9ticas existentes. Em situa\u00e7\u00f5es de urg\u00eancia, aus\u00eancia de outros profissionais ou risco \u00e0 vida, n\u00e3o h\u00e1 justificativa para recusar o socorro. Cabem ao m\u00e9dico, nesses casos, sensibilidade, prud\u00eancia e, principalmente, respeito \u00e0 dignidade humana.<\/p>\n<p>Os riscos de n\u00e3o cumprir essas regras v\u00e3o desde puni\u00e7\u00f5es administrativas e judiciais, passando por danos \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o e \u00e0 pr\u00f3pria carreira. Manter o registro criterioso, buscar orienta\u00e7\u00e3o especializada e apoiar-se em fontes confi\u00e1veis \u00e9 o melhor caminho para exercer a profiss\u00e3o com tranquilidade, dignidade e seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n<p>No projeto Cassiano Oliveira, dedico-me diariamente a orientar m\u00e9dicos, cirurgi\u00f5es-dentistas e gestores sobre riscos, direitos e deveres. Se voc\u00ea busca solu\u00e7\u00f5es em gest\u00e3o estrat\u00e9gica ou blindagem jur\u00eddica para proteger sua trajet\u00f3ria, <strong>conhe\u00e7a nossos servi\u00e7os e leve mais seguran\u00e7a para sua vida profissional e sua cl\u00ednica<\/strong>.<\/p>\n<h2><strong>Perguntas frequentes sobre dever de atendimento m\u00e9dico<\/strong><\/h2>\n<h3><strong>O que \u00e9 dever de atendimento m\u00e9dico?<\/strong><\/h3>\n<p><strong>Dever de atendimento m\u00e9dico \u00e9 a obriga\u00e7\u00e3o \u00e9tica e legal de prestar socorro, assist\u00eancia e cuidado adequado ao paciente, especialmente diante de situa\u00e7\u00f5es de urg\u00eancia, emerg\u00eancia ou risco \u00e0 vida<\/strong>. Esse dever \u00e9 regulado pelo C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica e pela legisla\u00e7\u00e3o vigente.<\/p>\n<h3><strong>Quando o m\u00e9dico pode recusar atendimento?<\/strong><\/h3>\n<p>O m\u00e9dico pode recusar atendimento quando o caso extrapola sua especialidade, quando a rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente est\u00e1 comprometida (exceto em situa\u00e7\u00f5es urgentes) ou por motivos pessoais relevantes que n\u00e3o coloquem em risco a vida do paciente. Sempre \u00e9 preciso justificar por escrito e garantir encaminhamento adequado.<\/p>\n<h3><strong>Quais situa\u00e7\u00f5es exigem atendimento obrigat\u00f3rio?<\/strong><\/h3>\n<p><strong>O atendimento \u00e9 obrigat\u00f3rio em casos de urg\u00eancia, emerg\u00eancia, risco \u00e0 vida, quando n\u00e3o h\u00e1 outro profissional dispon\u00edvel ou diante de pacientes que n\u00e3o podem ser encaminhados sem preju\u00edzo \u00e0 sua sa\u00fade<\/strong>. Motivos discriminat\u00f3rios nunca justificam a recusa do atendimento.<\/p>\n<h3><strong>Existe puni\u00e7\u00e3o para m\u00e9dico que recusa atendimento?<\/strong><\/h3>\n<p>Sim. O m\u00e9dico pode sofrer penalidades administrativas, responder a processo \u00e9tico-disciplinar, ser responsabilizado civilmente e at\u00e9 responder criminalmente por omiss\u00e3o de socorro, conforme previsto no C\u00f3digo Penal e nas diretrizes do Conselho Regional de Medicina.<\/p>\n<h3><strong>Como denunciar recusa de atendimento m\u00e9dico?<\/strong><\/h3>\n<p>A den\u00fancia pode ser feita junto ao Conselho Regional de Medicina do estado, no hospital, unidade de sa\u00fade ou por meio de registro na ouvidoria do servi\u00e7o. \u00c9 importante reunir documenta\u00e7\u00e3o, relatos de testemunhas e todas as evid\u00eancias dispon\u00edveis para fundamentar a den\u00fancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda os fundamentos legais e \u00e9ticos do dever de atendimento m\u00e9dico e as consequ\u00eancias da recusa indevida de aux\u00edlio.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1927,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[356],"tags":[],"class_list":["post-1926","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-direito-da-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1926"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1926\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1927"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}