{"id":1888,"date":"2026-04-03T10:00:00","date_gmt":"2026-04-03T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/?p=1888"},"modified":"2026-04-06T15:35:51","modified_gmt":"2026-04-06T18:35:51","slug":"prontuario-heranca-digital-tjsp-cfm-acesso-pos-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/prontuario-heranca-digital-tjsp-cfm-acesso-pos-morte\/","title":{"rendered":"Prontu\u00e1rio e heran\u00e7a digital: TJ\/SP vs CFM no acesso p\u00f3s-morte"},"content":{"rendered":"<p>Quando o tema \u00e9 heran\u00e7a digital e acesso ao prontu\u00e1rio m\u00e9dico ap\u00f3s a morte do paciente, percebo que as opini\u00f5es e entendimentos jur\u00eddicos se dividem \u2013 e, por vezes, se chocam. Em minha viv\u00eancia como advogado e consultor no setor da sa\u00fade, acompanho com aten\u00e7\u00e3o os embates entre institui\u00e7\u00f5es como o Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJ\/SP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), principalmente quando o assunto \u00e9 a privacidade post mortem. Quero relatar como um caso emblem\u00e1tico e a evolu\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o est\u00e3o impactando m\u00e9dicos, profissionais, fam\u00edlias e o pr\u00f3prio setor da sa\u00fade.<\/p>\n<h2>O caso real: m\u00e3e busca fotos do filho falecido e TJ\/SP nega acesso<\/h2>\n<p>Vi de perto como os limites do acesso digital impactam hist\u00f3rias de vida de pessoas reais. Um caso recente que ganhou destaque nacional envolveu uma m\u00e3e, que, dilacerada pela perda do filho, buscava acessar o perfil dele em uma conhecida rede social para conseguir fotografias e registros de seu passado. Ela acreditava ser um direito natural poder resgatar lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do TJ\/SP, no entanto, foi contr\u00e1ria a esse pedido. A corte entendeu que n\u00e3o havia respaldo jur\u00eddico para permitir a libera\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados armazenados na rede social. Fotos, mensagens e e-mails, segundo os desembargadores, comp\u00f5em a esfera de personalidade da pessoa falecida, e s\u00e3o protegidos mesmo ap\u00f3s a morte. Assim, aquela m\u00e3e n\u00e3o p\u00f4de acessar as mem\u00f3rias digitais do filho.<\/p>\n<blockquote><p>Prote\u00e7\u00e3o de dados e privacidade digital v\u00e3o al\u00e9m da vida f\u00edsica.<\/p><\/blockquote>\n<p>O entendimento foi claro: \u201cA inexist\u00eancia de uma lei espec\u00edfica sobre heran\u00e7a digital no Brasil impede o acesso irrestrito \u00e0s contas e arquivos digitais de pessoas falecidas, mesmo por familiares.\u201d<\/p>\n<p>Essa decis\u00e3o encontra respaldo em reportagens sobre a evolu\u00e7\u00e3o da heran\u00e7a digital no Brasil, que mostram decis\u00f5es judiciais ainda raras, disputas nos tribunais e falta de legisla\u00e7\u00e3o consolidada, como aponta mat\u00e9ria do Terra acerca do tema (<a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/noticias\/brasil\/cidades\/quem-fica-com-meus-dados-e-redes-sociais-quando-eu-morrer-heranca-digital-motiva-acoes-na-justica%2C3d7acad4fd1663147e8ad9f2eac07e98vzaviaez.html\">heran\u00e7a digital motiva a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a<\/a>).<\/p>\n<p><strong>O TJ\/SP decidiu que, sem lei espec\u00edfica, a privacidade, imagem, honra e intimidade do falecido devem ser preservadas, inclusive ap\u00f3s a morte.<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com essa vis\u00e3o, fotos, e-mails e mensagens em nuvem s\u00e3o protegidos como direitos de personalidade, e diferentemente de heran\u00e7as patrimoniais, n\u00e3o se transferem aos herdeiros.<\/p>\n<h2>A heran\u00e7a digital \u00e9 patrim\u00f4nio?<\/h2>\n<p>Essa pergunta aparece in\u00fameras vezes em reuni\u00f5es e consultas que atendo em meu escrit\u00f3rio. Dados digitais s\u00e3o objetos de heran\u00e7a como autom\u00f3veis ou im\u00f3veis?<\/p>\n<ul>\n<li>Bens patrimoniais (dinheiro, carros, propriedades) passam aos herdeiros via invent\u00e1rio.<\/li>\n<li>Bens da personalidade (intimidade digital, conversas, fotos privadas, hist\u00f3rico de navega\u00e7\u00e3o) n\u00e3o se transmitem automaticamente.<\/li>\n<li>O argumento jur\u00eddico \u00e9 que s\u00f3 o <strong>patrim\u00f4nio<\/strong> se transmite por sucess\u00e3o, enquanto os direitos da personalidade se extinguem, salvo previs\u00e3o contr\u00e1ria clara em lei.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Este detalhe \u00e9 fundamental para orientar profissionais e empresas do setor de sa\u00fade sobre o que pode (ou n\u00e3o) ser transmitido aos familiares de um paciente falecido. Gerar pol\u00edticas internas alinhadas com a legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 parte do trabalho que fa\u00e7o com frequ\u00eancia para meus clientes.<\/p>\n<h2>Como era o entendimento do CFM sobre prontu\u00e1rio p\u00f3s-morte?<\/h2>\n<p>Antes de 2014, a orienta\u00e7\u00e3o do Conselho Federal de Medicina era clara: <strong>o prontu\u00e1rio do paciente falecido s\u00f3 poderia ser entregue a familiares mediante ordem judicial<\/strong>. Isso porque, para o CFM, os dados m\u00e9dicos eram sigilosos a ponto de exigirem m\u00e1xima prote\u00e7\u00e3o, mesmo ap\u00f3s o \u00f3bito.<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, m\u00e9dicos e institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade ficavam proibidos de fornecer qualquer c\u00f3pia ou acesso ao prontu\u00e1rio, exceto quando diretamente obrigados pela Justi\u00e7a. O CFM, assim, buscava proteger ao m\u00e1ximo o sigilo profissional.<\/p>\n<p>Por anos, segui recomendando aos meus clientes que fossem extremamente cautelosos e jamais entregassem prontu\u00e1rios sem respaldo judicial.<\/p>\n<h3>Mudan\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o do CFM em 2014<\/h3>\n<p>No entanto, j\u00e1 em 2014, o CFM publicou novas orienta\u00e7\u00f5es. A partir dali, passou a permitir que parentes em linha reta (pais, filhos, av\u00f3s) ou colateral (irm\u00e3os, tios) pudessem solicitar c\u00f3pia do prontu\u00e1rio de paciente falecido, <strong>desde que o pr\u00f3prio paciente n\u00e3o tenha proibido explicitamente o acesso em vida<\/strong>.<\/p>\n<p>Em outras palavras, o CFM abriu caminho para um acesso menos restritivo, desde que n\u00e3o houvesse manifesta\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria do paciente registrada anteriormente. O objetivo era facilitar, por exemplo, processos de invent\u00e1rio, comprova\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia ou rela\u00e7\u00f5es de afeto familiares.<\/p>\n<p>No entanto, sempre ressaltei que essa orienta\u00e7\u00e3o ainda colocava em risco os m\u00e9dicos e institui\u00e7\u00f5es, caso o entendimento do Judici\u00e1rio seguisse linha mais protetiva \u00e0 intimidade.<\/p>\n<h2>Evolu\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o do TJ\/SP: mais restri\u00e7\u00e3o em 2026<\/h2>\n<p>Isso se confirmou. Em fevereiro de 2026, o Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo endureceu seu entendimento, privilegiando ainda mais a prote\u00e7\u00e3o da privacidade e dos dados mesmo ap\u00f3s a morte do titular.<\/p>\n<blockquote><p>O sigilo m\u00e9dico persiste ap\u00f3s o \u00f3bito.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em sua decis\u00e3o, o TJ\/SP determinou que \u201csem autoriza\u00e7\u00e3o expressa dada em vida pelo paciente\u201d, o acesso ao prontu\u00e1rio ou a qualquer dado sens\u00edvel ligado \u00e0 pessoa falecida s\u00f3 poderia se dar por meio de ordem judicial. N\u00e3o bastava mais a mera exist\u00eancia de v\u00ednculo familiar ou de heran\u00e7a.<\/p>\n<p>A justificativa apresentada pelos desembargadores foi fundamentada nos direitos de personalidade previstos na Constitui\u00e7\u00e3o. Para eles, a intimidade, a imagem, a honra e a privacidade s\u00e3o direitos inviol\u00e1veis, que sobrevivem \u00e0 morte \u2013 e que n\u00e3o se transferem aos sucessores, a n\u00e3o ser quando autorizado expressamente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/ixymyhazbhztpjnlxmbd.supabase.co\/storage\/v1\/object\/images\/generated\/privacidade-prontuario-hospitalar-249.webp\" alt=\"Pessoa analisando prontu\u00e1rio m\u00e9dico com documentos digitalizados e ambiente hospitalar moderno \" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\"><\/p>\n<h2>CFM e TJ\/SP: vis\u00f5es opostas<\/h2>\n<p>Hoje, no Brasil, convivo com dois grandes polos de orienta\u00e7\u00e3o sobre o acesso ao prontu\u00e1rio do falecido:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>TJ\/SP:<\/strong> permite acesso apenas se houver autoriza\u00e7\u00e3o em vida da pessoa falecida. Do contr\u00e1rio, s\u00f3 mediante ordem judicial.<\/li>\n<li><strong>CFM:<\/strong> libera acesso na aus\u00eancia de proibi\u00e7\u00e3o expressa do paciente, desde que o pedido venha de parentes pr\u00f3ximos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Esse conflito gera enorme inseguran\u00e7a jur\u00eddica para m\u00e9dicos, cl\u00ednicas, hospitais e consult\u00f3rios. Vejo profissionais receosos de assumir qualquer risco indevido ao liberar informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis. Em situa\u00e7\u00f5es de d\u00favida, recomenda-se aguardar decis\u00e3o judicial antes de responder a solicita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Inclusive, mat\u00e9ria do Poder360 ressalta que o pr\u00f3prio STJ j\u00e1 decidiu que, para acessar bens e dados digitais de falecido, o processo deve ser pr\u00f3prio, separado do invent\u00e1rio, <a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/poder-justica\/stj-fixa-regras-para-acesso-a-heranca-digital-com-senha\/\">sobretudo quando n\u00e3o h\u00e1 compartilhamento de senhas<\/a>.<\/p>\n<h2>O que prevalece na pr\u00e1tica hoje?<\/h2>\n<p>Sei, por experi\u00eancia e atualiza\u00e7\u00e3o constante dos meus estudos, que <strong>prevalece hoje a interpreta\u00e7\u00e3o mais restritiva do TJ\/SP<\/strong>. Ou seja:<\/p>\n<ul>\n<li>Sem autoriza\u00e7\u00e3o do titular em vida, n\u00e3o se deve entregar prontu\u00e1rio m\u00e9dico ou dados sens\u00edveis diretamente aos familiares.<\/li>\n<li>Qualquer acesso s\u00f3 poder\u00e1 ocorrer mediante ordem judicial espec\u00edfica.<\/li>\n<li>O setor de sa\u00fade deve adotar como regra a prote\u00e7\u00e3o dos dados sens\u00edveis, preservando o sigilo independente do pedido de parentes.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Essa postura se baseia tanto na \u00e9tica m\u00e9dica quanto em fundamentos constitucionais e civis. E isso vale, por analogia, n\u00e3o s\u00f3 para redes sociais e contas digitais, mas tamb\u00e9m para fichas cl\u00ednicas e prontu\u00e1rios m\u00e9dicos, como menciono em detalhes no artigo sobre <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/saude\/prontuario-medico-e-direito-do-paciente-sua-solicitacao-por-terceiros-e-protegido\/\">solicita\u00e7\u00e3o de prontu\u00e1rio por terceiros<\/a>.<\/p>\n<p>Ao atender hospitais, cl\u00ednicas e profissionais, recomendo defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas internas claras, com respaldo jur\u00eddico e apoio a decis\u00f5es cautelosas. N\u00e3o por acaso, abordo temas como <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/prontuario-medico-protecao-riscos-pratica-profissional\/\">prote\u00e7\u00e3o e riscos do prontu\u00e1rio m\u00e9dico<\/a> e <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/sigilo-medico-quando-pode-ser-quebrado-e-limites-legais\/\">sigilo m\u00e9dico e seus limites<\/a>.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/ixymyhazbhztpjnlxmbd.supabase.co\/storage\/v1\/object\/images\/generated\/heranca-digital-redes-sociais-322.webp\" alt=\"Perfil digital de pessoa falecida em rede social sendo analisado em computador moderno \" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\"><\/p>\n<h2>O risco jur\u00eddico de liberar o prontu\u00e1rio fora desses par\u00e2metros<\/h2>\n<p>Enquanto n\u00e3o houver legisla\u00e7\u00e3o federal espec\u00edfica, permanece a necessidade de cautela m\u00e1xima para a prote\u00e7\u00e3o profissional do m\u00e9dico. O setor de sa\u00fade precisa entender:<\/p>\n<ul>\n<li>Prontu\u00e1rios e dados sens\u00edveis s\u00f3 podem ser compartilhados via ordem judicial, salvo autoriza\u00e7\u00e3o expressa dada em vida pelo titular.<\/li>\n<li>A libera\u00e7\u00e3o indevida desses dados pode gerar responsabiliza\u00e7\u00e3o \u00e9tica, civil e administrativa ao profissional ou \u00e0 institui\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Decis\u00f5es dos tribunais (como do TJ\/SP) valem como refer\u00eancia e fornecem o padr\u00e3o mais seguro atualmente, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) n\u00e3o define o tema em car\u00e1ter definitivo.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Entregar prontu\u00e1rio ou dados digitais de falecido diretamente a familiares, sem autoriza\u00e7\u00e3o judicial, representa risco jur\u00eddico real, tanto pela LGPD quanto pela jurisprud\u00eancia dominante.<\/strong><\/p>\n<p>O tema est\u00e1, inclusive, na pauta do STF, que decidir\u00e1 sobre o limite da privacidade post mortem, conforme minha an\u00e1lise constante nos trabalhos junto a m\u00e9dicos e gestores.<\/p>\n<h2>O futuro: decis\u00e3o do STF ser\u00e1 o marco definitivo?<\/h2>\n<p>Todos aguardamos, ansiosos, o posicionamento do Supremo Tribunal Federal. Ser\u00e1 o STF que ir\u00e1 determinar, em definitivo, at\u00e9 onde vai o direito \u00e0 privacidade ap\u00f3s a morte e se existe, ou n\u00e3o, uma <strong>heran\u00e7a digital<\/strong> genuinamente transmiss\u00edvel aos familiares.<\/p>\n<p>Enquanto a lei n\u00e3o se manifesta, indico prud\u00eancia m\u00e1xima a m\u00e9dicos gestores, cl\u00ednicas e consult\u00f3rios. Cada caso exige an\u00e1lise t\u00e9cnica, respaldo jur\u00eddico e registro de decis\u00f5es fundamentadas internamente.<\/p>\n<p>Temos temas correlatos na \u00e1rea da sa\u00fade que refor\u00e7am essas discuss\u00f5es, como os <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/limites-legais-cirurgias-esteticas-dentistas-portaria-n-061-2026\/\">limites das cirurgias eletivas e regras \u00e9ticas para dentistas<\/a>, sempre vinculados ao respeito \u00e0 privacidade do paciente.<\/p>\n<h2>Conclus\u00e3o: voc\u00ea concorda mais com o TJ\/SP ou com o CFM?<\/h2>\n<p>Cheguei ao fim desse artigo convencido de que equil\u00edbrio entre privacidade, prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e respeito \u00e0 vontade do falecido \u00e9 um dos grandes desafios atuais do direito m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Como consultor e advogado, sempre defendo a seguran\u00e7a m\u00e1xima. A posi\u00e7\u00e3o do TJ\/SP hoje \u00e9 a mais segura, exigindo autoriza\u00e7\u00e3o expressa ou ordem judicial para qualquer acesso. O CFM busca humanizar o acesso, facilitando para os familiares, mas, enquanto n\u00e3o houver decis\u00e3o superior, recomendo cautela.<\/p>\n<blockquote><p>Voc\u00ea acredita que o acesso aos dados do falecido deve ser restrito como prop\u00f5e o TJ\/SP, ou facilitado conforme o CFM orienta?<\/p><\/blockquote>\n<p>Seu posicionamento \u00e9 relevante: <strong>essa discuss\u00e3o define os rumos da \u00e9tica e seguran\u00e7a jur\u00eddica na sa\u00fade<\/strong>. O cen\u00e1rio pode mudar nos pr\u00f3ximos anos com uma lei espec\u00edfica ou decis\u00e3o do STF, mas at\u00e9 l\u00e1, \u00e9 indispens\u00e1vel prote\u00e7\u00e3o m\u00e1xima ao prontu\u00e1rio e \u00e0 heran\u00e7a digital.<\/p>\n<p>Se deseja aprofundar mais sobre prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, gest\u00e3o de risco e como blindar sua cl\u00ednica ou consult\u00f3rio, conhe\u00e7a as solu\u00e7\u00f5es integradas oferecidas pelo projeto Cassiano Oliveira. Conte comigo para garantir sua tranquilidade e seguran\u00e7a profissional. Entre em contato para saber mais!<\/p>\n<h2 class=\"question\">Perguntas frequentes sobre o tema<\/h2>\n<h3 class=\"question\">O que \u00e9 heran\u00e7a digital?<\/h3>\n<p class=\"answer\"><strong>Heran\u00e7a digital \u00e9 o conjunto de bens, direitos e informa\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas deixadas por uma pessoa ap\u00f3s a morte, incluindo contas em redes sociais, arquivos em nuvem, e-mails, fotos digitais, senhas e outras informa\u00e7\u00f5es armazenadas em ambiente virtual.<\/strong> No Brasil, ainda n\u00e3o existe legisla\u00e7\u00e3o federal espec\u00edfica sobre a transmiss\u00e3o desse patrim\u00f4nio, e o tema segue sendo discutido em tribunais. Veja mais sobre os desafios do tema em <a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/noticias\/brasil\/cidades\/quem-fica-com-meus-dados-e-redes-sociais-quando-eu-morrer-heranca-digital-motiva-acoes-na-justica%2C3d7acad4fd1663147e8ad9f2eac07e98vzaviaez.html\">reportagens sobre heran\u00e7a digital<\/a>.<\/p>\n<h3 class=\"question\">Como acessar prontu\u00e1rio m\u00e9dico ap\u00f3s morte?<\/h3>\n<p class=\"answer\">Atualmente, o acesso ao prontu\u00e1rio m\u00e9dico de pessoa falecida s\u00f3 \u00e9 permitido caso o paciente tenha autorizado expressamente em vida, ou por meio de decis\u00e3o judicial. A orienta\u00e7\u00e3o dos tribunais, especialmente do TJ\/SP, \u00e9 restritiva, visando proteger o sigilo e a privacidade do paciente inclusive ap\u00f3s a morte, como detalhado em <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/saude\/prontuario-medico-e-direito-do-paciente-sua-solicitacao-por-terceiros-e-protegido\/\">informa\u00e7\u00f5es sobre acesso ao prontu\u00e1rio<\/a>. <\/p>\n<h3 class=\"question\">Quem pode solicitar acesso ao prontu\u00e1rio?<\/h3>\n<p class=\"answer\">Segundo a orienta\u00e7\u00e3o mais recente do CFM, parentes em linha reta (pais, filhos, av\u00f3s) ou colateral (irm\u00e3os, tios) podem solicitar c\u00f3pia do prontu\u00e1rio de falecido, se n\u00e3o houver proibi\u00e7\u00e3o expressa do pr\u00f3prio paciente. Por\u00e9m, para garantir seguran\u00e7a jur\u00eddica, recomenda-se aguardar decis\u00e3o judicial antes de liberar o documento. Para mais detalhes veja o artigo sobre <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/prontuario-medico-protecao-riscos-pratica-profissional\/\">responsabilidades e riscos do compartilhamento<\/a>.<\/p>\n<h3 class=\"question\">O que diz o CFM sobre acesso?<\/h3>\n<p class=\"answer\"><strong>O CFM permite, desde 2014, o compartilhamento do prontu\u00e1rio a parentes diretamente ligados ao falecido, desde que o paciente n\u00e3o tenha deixado orienta\u00e7\u00e3o formal contr\u00e1ria.<\/strong> O objetivo \u00e9 evitar burocracia excessiva para a fam\u00edlia, visando situa\u00e7\u00f5es como processos de invent\u00e1rio ou comprova\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo. No entanto, \u00e9 fundamental considerar os riscos de responsabiliza\u00e7\u00e3o civil e \u00e9tica para m\u00e9dicos e institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3 class=\"question\">Qual a posi\u00e7\u00e3o do TJ\/SP no tema?<\/h3>\n<p class=\"answer\">O Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo entende que o acesso ao prontu\u00e1rio ou dados digitais s\u00f3 pode ser concedido se o falecido deixou autoriza\u00e7\u00e3o clara em vida. Em qualquer outra situa\u00e7\u00e3o, o acesso \u00e9 condicionado a decis\u00e3o judicial. O TJ\/SP privilegia o sigilo e a intimidade do falecido, em total conson\u00e2ncia com os direitos de personalidade e a legisla\u00e7\u00e3o sobre dados sens\u00edveis, tema amplamente debatido em <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/nota-publica-soberania-do-medico\/\">postagens sobre soberania m\u00e9dica e \u00e9tica<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conflito entre TJ\/SP e CFM sobre acesso a prontu\u00e1rios e heran\u00e7a digital: direitos, privacidade e limites p\u00f3s-morte.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1889,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[356],"tags":[],"class_list":["post-1888","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-direito-da-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1888\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}