{"id":1618,"date":"2026-01-02T10:00:00","date_gmt":"2026-01-02T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/?p=1618"},"modified":"2026-01-02T07:06:48","modified_gmt":"2026-01-02T10:06:48","slug":"clausulas-nao-indenizar-contratos-medicos-nulas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/clausulas-nao-indenizar-contratos-medicos-nulas\/","title":{"rendered":"Cl\u00e1usulas de N\u00e3o Indenizar em Contratos M\u00e9dicos: Por Que S\u00e3o Nulas"},"content":{"rendered":"<p>Ao longo de anos de atua\u00e7\u00e3o em Direito M\u00e9dico, percebi que muitos profissionais de sa\u00fade buscam mitigar riscos e se proteger de lit\u00edgios adotando estrat\u00e9gias contratuais question\u00e1veis. Entre as d\u00favidas mais frequentes que chegam at\u00e9 mim est\u00e1 a possibilidade de incluir cl\u00e1usulas de \u201cn\u00e3o indenizar\u201d nos contratos m\u00e9dicos. Ser\u00e1 que isso realmente protege o m\u00e9dico? Ser\u00e1 que \u00e9 legal? \u00c9 justamente sobre isso que quero refletir com voc\u00ea.<\/p>\n<h2><strong>O que s\u00e3o as cl\u00e1usulas de n\u00e3o indenizar?<\/strong><\/h2>\n<p>Toda vez que reviso contratos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os na \u00e1rea m\u00e9dica, me deparo com tentativas de inserir previs\u00f5es como: \u201cO paciente declara, neste ato, que n\u00e3o responsabilizar\u00e1 o m\u00e9dico por eventuais danos decorrentes da sua atua\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c0 primeira leitura, pode at\u00e9 parecer uma maneira simples e eficaz de reduzir riscos. S\u00f3 que a realidade jur\u00eddica \u00e9 bem diferente.<\/p>\n<p><strong>Essas disposi\u00e7\u00f5es contratuais buscam afastar antecipadamente o direito da parte prejudicada (normalmente o paciente) em exigir indeniza\u00e7\u00e3o de eventuais danos.<\/strong> Ou seja, criam uma barreira artificial entre o paciente e o direito \u00e0 repara\u00e7\u00e3o, caso venha sofrer dano moral, f\u00edsico ou material por conduta m\u00e9dica il\u00edcita.<\/p>\n<h2><strong>Por que cl\u00e1usulas de n\u00e3o indenizar s\u00e3o nulas?<\/strong><\/h2>\n<p>Eu poderia resumir a resposta, mas prefiro detalhar o caminho legal aqui. O fundamento \u00e9 simples: <strong>cl\u00e1usulas de n\u00e3o indenizar s\u00e3o nulas de pleno direito porque violam os direitos da personalidade, protegidos pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal e pelo C\u00f3digo Civil.<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong>: dignidade da pessoa humana (art. 1\u00ba, III) e inviolabilidade da honra, imagem e integridade (art. 5\u00ba, X).<\/li>\n<li><strong>C\u00f3digo Civil<\/strong>: art. 11 define que os direitos de personalidade s\u00e3o irrenunci\u00e1veis e intransmiss\u00edveis.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Em outras palavras, <strong>n\u00e3o se pode abrir m\u00e3o de direitos ligados \u00e0 vida, sa\u00fade e integridade f\u00edsica ou moral<\/strong>. S\u00e3o considerados n\u00facleo da dignidade humana, e, portanto, qualquer ren\u00fancia antecipada \u00e9 inv\u00e1lida.<\/p>\n<blockquote><p>Direitos da personalidade n\u00e3o s\u00e3o moeda de troca.<\/p><\/blockquote>\n<h2><strong>O que s\u00e3o direitos da personalidade e por que n\u00e3o podem ser afastados?<\/strong><\/h2>\n<p>Sigo a grande li\u00e7\u00e3o de Maria Helena Diniz, que diz: <strong>os direitos da personalidade garantem a integridade f\u00edsica, intelectual e moral da pessoa, sendo absolutamente indispon\u00edveis<\/strong>. Ou seja, nem mesmo o pr\u00f3prio titular pode negociar ou renunciar, salvo rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es definidas em lei, como alguns tipos de doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os (conforme Lei 9.434\/1997).<\/p>\n<p>Esses direitos, refor\u00e7ados pela doutrina e pela jurisprud\u00eancia, est\u00e3o no centro de toda rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente. Afinal, um contrato de servi\u00e7os m\u00e9dicos n\u00e3o pode ser usado para fragilizar a posi\u00e7\u00e3o da pessoa doente, considerada parte vulner\u00e1vel. Tentar afastar a responsabilidade civil m\u00e9dica afronta o esp\u00edrito protetivo da legisla\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Mesmo que o paciente assine, qualquer cl\u00e1usula afastando seu direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos ser\u00e1 tida como inexistente aos olhos da lei. Perdi a conta de quantas vezes precisei explicar isso em reuni\u00f5es com colegas m\u00e9dicos.<\/p>\n<h2><strong>O cen\u00e1rio de judicializa\u00e7\u00e3o e inseguran\u00e7a na sa\u00fade<\/strong><\/h2>\n<p>Hoje, estamos diante de uma <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/erro-medico\/a-judicializacao-da-medicina-por-que-cada-medico-precisa-de-um-escudo-juridico-e-financeiro\/\" target=\"_blank\">judicializa\u00e7\u00e3o crescente da medicina<\/a>. Conversei com in\u00fameros profissionais preocupados com a frequ\u00eancia de processos, a press\u00e3o social e o sentimento de inseguran\u00e7a diante de novos lit\u00edgios m\u00e9dicos. Essa instabilidade gera rea\u00e7\u00f5es nas duas pontas:<\/p>\n<ul>\n<li>M\u00e9dicos receosos de decis\u00f5es judiciais imprevis\u00edveis e da limita\u00e7\u00e3o da autonomia t\u00e9cnica.<\/li>\n<li>Pacientes desconfiados, muitas vezes munidos de informa\u00e7\u00f5es confusas e, por vezes, estimulados por discursos jur\u00eddicos alarmistas.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00c9 nesse ambiente tenso que surgem propostas de blindagem jur\u00eddica inadequada, como as cl\u00e1usulas de n\u00e3o indenizar<\/strong>. J\u00e1 vi contratos redigidos praticamente como \u201ccontrato de irresponsabilidade m\u00e9dica\u201d, o que, sinceramente, n\u00e3o passa de tentativa frustrada de criar uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a.<\/p>\n<h2><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/ixymyhazbhztpjnlxmbd.supabase.co\/storage\/v1\/object\/images\/generated\/assinatura-contrato-consultorio-361.webp\" alt=\"M\u00e9dico e paciente revisando e assinando um contrato em consult\u00f3rio moderno \" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\"><strong>O entendimento do STF e o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor<\/strong><\/h2>\n<p>Em minha experi\u00eancia, o entendimento consolidado dos nossos tribunais \u00e9 claro: <strong>a rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente \u00e9 rela\u00e7\u00e3o de consumo<\/strong>. Ali\u00e1s, o Supremo Tribunal Federal j\u00e1 decidiu de forma categ\u00f3rica sobre isso. Ou seja, o paciente \u00e9 tratado como consumidor e, portanto, <strong>goza de prote\u00e7\u00e3o especial diante de sua situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade<\/strong>.<\/p>\n<p>O C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (<a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/recusa-atendimento-medico-permitida-consequencias\/\" target=\"_blank\">CDC<\/a>) pro\u00edbe que qualquer contrato exclua a responsabilidade por danos causados ao consumidor. Toda cl\u00e1usula que tente limitar ou afastar de modo antecipado o direito de indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 automaticamente considerada nula por <strong>abuso de direito<\/strong>.<\/p>\n<blockquote><p>O contrato m\u00e9dico est\u00e1 submetido \u00e0 tutela do consumidor.<\/p><\/blockquote>\n<h2><strong>Liberdade contratual ou abuso de direito?<\/strong><\/h2>\n<p>Um ponto que sempre surge nas discuss\u00f5es contratuais \u00e9 a defesa da liberdade de contratar. M\u00e9dicos e cl\u00ednicas querem maior flexibilidade e autonomia. Por\u00e9m, existe limite claro e inegoci\u00e1vel: <strong>nenhuma liberdade pode retirar direitos ligados \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 dignidade da pessoa humana<\/strong>. O princ\u00edpio da <strong>boa-f\u00e9 objetiva<\/strong> exige cuidado, transpar\u00eancia e honestidade em cada etapa do contrato.<\/p>\n<ul>\n<li>O dever de cuidado coloca a sa\u00fade do paciente acima de interesses comerciais.<\/li>\n<li>Cl\u00e1usulas que retirem direitos inalien\u00e1veis ser\u00e3o ineficazes, ainda que assinadas.<\/li>\n<li>A prote\u00e7\u00e3o do vulner\u00e1vel \u00e9 refor\u00e7ada por toda legisla\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<\/li>\n<\/ul>\n<p>No fundo, todo contrato m\u00e9dico precisa respeitar esses limites. J\u00e1 orientei e reestruturei diversos modelos para colegas, transformando contratos abusivos em instrumentos de prote\u00e7\u00e3o leg\u00edtima \u2013 para m\u00e9dico e paciente.<\/p>\n<h2><strong>O que a lei realmente exige para configura\u00e7\u00e3o do dever de indenizar?<\/strong><\/h2>\n<p>\u00c9 natural a preocupa\u00e7\u00e3o do profissional diante de riscos. Mas o que a lei realmente exige para configurar o dever de indenizar?<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Ilicitude<\/strong>: conduta m\u00e9dica que desrespeite os par\u00e2metros legais, \u00e9ticos ou t\u00e9cnicos.<\/li>\n<li><strong>Dano<\/strong>: preju\u00edzo concreto ao paciente, seja f\u00edsico, moral ou material.<\/li>\n<li><strong>Nexo causal<\/strong>: rela\u00e7\u00e3o direta entre a conduta do profissional e o dano sofrido.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Esses elementos est\u00e3o previstos no <strong>art. 186 e art. 927 do C\u00f3digo Civil<\/strong>. N\u00e3o basta alega\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica: \u00e9 o caso concreto que definir\u00e1 a responsabilidade. Por isso, buscar excluir o risco contratualmente, antecipadamente, afronta o pr\u00f3prio sistema jur\u00eddico.<\/p>\n<h2><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/ixymyhazbhztpjnlxmbd.supabase.co\/storage\/v1\/object\/images\/generated\/balanca-da-justica-medico-916.webp\" alt=\"Balan\u00e7a da justi\u00e7a com s\u00edmbolo m\u00e9dico sobre a mesa de um escrit\u00f3rio jur\u00eddico \" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\"><strong>Solu\u00e7\u00f5es efetivas: como blindar sua atua\u00e7\u00e3o sem cl\u00e1usulas abusivas<\/strong><\/h2>\n<p>Depois de anos acompanhando casos de judicializa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, posso afirmar: <strong>a melhor prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em tentar restringir direitos do paciente<\/strong>, mas em adotar pr\u00e1ticas de gest\u00e3o de risco e Direito M\u00e9dico Preventivo.<\/p>\n<p>No meu trabalho no projeto Cassiano Oliveira, sempre refor\u00e7o que o caminho \u00e9 construir uma rela\u00e7\u00e3o transparente e \u00e9tica com o paciente. Veja algumas estrat\u00e9gias seguras:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Comunica\u00e7\u00e3o clara e frequente<\/strong>: explicar diagn\u00f3sticos, procedimentos, riscos e benef\u00edcios de maneira simples.<\/li>\n<li><strong>Consentimento livre e informado<\/strong>: fundamental para garantir que o paciente compreenda o que ser\u00e1 feito e assuma papel ativo na decis\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Registros detalhados<\/strong>: fichas cl\u00ednicas completas, termos assinados, laudos m\u00e9dicos e comunica\u00e7\u00e3o arquivada.<\/li>\n<li><strong>Contratos revisados<\/strong> sob \u00f3tica \u00e9tica e legal, sem tentativas de afastar direitos fundamentais.<\/li>\n<li>Contrata\u00e7\u00e3o de seguros de responsabilidade civil espec\u00edficos para a \u00e1rea m\u00e9dica.<\/li>\n<li>Treinamentos e atualiza\u00e7\u00e3o permanente em Direito M\u00e9dico Preventivo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Costumo orientar os profissionais a buscarem sempre atualiza\u00e7\u00e3o e a investir em m\u00e9todos que promovam a confian\u00e7a e a constru\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel da rela\u00e7\u00e3o com o paciente. Isso reduz imensamente os riscos de a\u00e7\u00f5es judiciais.<\/p>\n<h2><strong>Agir preventivamente \u00e9 essencial para m\u00e9dicos, cl\u00ednicas e hospitais<\/strong><\/h2>\n<p>Ao atuar diretamente na revis\u00e3o de <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-da-saude\/principais-erros-contratos-servicos-medicos\/\" target=\"_blank\">contratos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os m\u00e9dicos<\/a> ou no acompanhamento jur\u00eddico preventivo, percebo que a postura proativa \u00e9 a que melhor resolve conflitos antes mesmo que surjam. O foco deve ser:<\/p>\n<ul>\n<li>Estruturar contratos claros, leg\u00edtimos e equilibrados.<\/li>\n<li>Conhecer os riscos inerentes \u00e0 atividade m\u00e9dica.<\/li>\n<li>Documentar todos os passos do atendimento e do procedimento cl\u00ednico.<\/li>\n<li>Atualizar-se sobre a legisla\u00e7\u00e3o e os entendimentos mais recentes da jurisprud\u00eancia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Alguns temas de leitura que recomendo: <a href=\"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/direito-medico\/lei-do-sigilo-medico-4-coisas-que-os-medicos-precisam-saber\/\" target=\"_blank\">sigilo m\u00e9dico<\/a>, respeito \u00e0 integridade dos dados do paciente e \u00e9tica na publicidade m\u00e9dica.<\/p>\n<h2><strong>Acompanhamento jur\u00eddico: garantia de seguran\u00e7a e alinhamento legal<\/strong><\/h2>\n<p>No contexto atual, a velocidade das mudan\u00e7as legislativas e a press\u00e3o por resultados imediatos criam armadilhas para profissionais desatentos. Vejo colegas tentando copiar modelos prontos da internet e, assim, assumindo riscos desnecess\u00e1rios. Por isso, minha recomenda\u00e7\u00e3o constante \u00e9: <strong>conte com acompanhamento de um advogado especializado em Direito M\u00e9dico<\/strong>.<\/p>\n<ul>\n<li>Revis\u00e3o criteriosa de todos os contratos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os.<\/li>\n<li>Elabora\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o de termos de consentimento e declara\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>An\u00e1lise de riscos e compliance com normas t\u00e9cnicas, \u00e9ticas e legais.<\/li>\n<li>Equipe dispon\u00edvel para consultas r\u00e1pidas e orienta\u00e7\u00f5es diante de situa\u00e7\u00f5es de crise.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Eu costumo dizer que blindagem jur\u00eddica ocorre antes do problema existir, e n\u00e3o depois que o processo j\u00e1 foi instaurado.<\/p>\n<h2><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>Cl\u00e1usulas de \u201cn\u00e3o indenizar\u201d em contratos m\u00e9dicos s\u00e3o categoricamente <strong>nulas de pleno direito<\/strong>. Elas afrontam a dignidade da pessoa humana, desrespeitam os direitos da personalidade e desafiam normas constitucionais e do C\u00f3digo Civil. O paciente nunca pode ser privado antecipadamente de seu direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o contra danos, mesmo que tenha concordado por escrito.<\/p>\n<p><strong>A melhor estrat\u00e9gia para m\u00e9dicos, cl\u00ednicas e consult\u00f3rios \u00e9 atuar de forma preventiva, \u00e9tica e transparente, utilizando instrumentos jur\u00eddicos leg\u00edtimos, comunica\u00e7\u00e3o clara e acompanhamento especializado.<\/strong><\/p>\n<p>O projeto Cassiano Oliveira est\u00e1 dispon\u00edvel para orientar, revisar contratos e oferecer solu\u00e7\u00f5es completas em gest\u00e3o e blindagem jur\u00eddica da atua\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Se voc\u00ea busca resguardar sua carreira e tomar decis\u00f5es seguras, <strong>entre em contato comigo e conhe\u00e7a como posso ajudar voc\u00ea e sua cl\u00ednica a atuarem alinhados com as normas e protegidos de riscos desnecess\u00e1rios.<\/strong><\/p>\n<h2><strong>Perguntas frequentes sobre cl\u00e1usula de n\u00e3o indenizar em contratos m\u00e9dicos<\/strong><\/h2>\n<h3><strong>O que \u00e9 cl\u00e1usula de n\u00e3o indenizar?<\/strong><\/h3>\n<p>Trata-se de uma disposi\u00e7\u00e3o contratual que, em tese, buscaria afastar ou limitar antecipadamente o direito do paciente de exigir repara\u00e7\u00e3o civil por danos decorrentes da atua\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Normalmente, aparece em contratos como uma tentativa de o m\u00e9dico se resguardar de futuras demandas indenizat\u00f3rias. Contudo, sua validade \u00e9 inexistente face \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o vigente.<\/p>\n<h3><strong>Cl\u00e1usula de n\u00e3o indenizar \u00e9 v\u00e1lida?<\/strong><\/h3>\n<p><strong>N\u00e3o, cl\u00e1usulas de n\u00e3o indenizar s\u00e3o nulas de pleno direito na \u00e1rea m\u00e9dica.<\/strong> Elas violam a Constitui\u00e7\u00e3o, o C\u00f3digo Civil e o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, que protegem a dignidade, a sa\u00fade e a integridade do paciente. Qualquer previs\u00e3o contratual desse tipo n\u00e3o produz efeito jur\u00eddico, mesmo que ambos os lados tenham assinado.<\/p>\n<h3><strong>Por que essas cl\u00e1usulas s\u00e3o nulas?<\/strong><\/h3>\n<p>Essas cl\u00e1usulas s\u00e3o nulas porque pretendem afastar direitos considerados indispon\u00edveis, como a integridade f\u00edsica, moral e ps\u00edquica do paciente, protegidos pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal (art. 1\u00ba, III e art. 5\u00ba, X) e pelo C\u00f3digo Civil (art. 11). Al\u00e9m disso, violam o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, pois tentam limitar direitos do consumidor de forma abusiva.<\/p>\n<h3><strong>Como identificar cl\u00e1usula de n\u00e3o indenizar?<\/strong><\/h3>\n<p>Uma cl\u00e1usula de n\u00e3o indenizar geralmente aparece no contrato em termos como: \u201co paciente renuncia ao direito de reclamar danos futuros\u201d, ou \u201co profissional n\u00e3o se responsabiliza por eventuais les\u00f5es decorrentes do procedimento\u201d. Toda previs\u00e3o que tente afastar, antecipadamente, o dever de reparar eventuais danos ao paciente, ainda que com outras palavras, trata-se de cl\u00e1usula nula.<\/p>\n<h3><strong>Quais os riscos de incluir essa cl\u00e1usula?<\/strong><\/h3>\n<p>Al\u00e9m de ser ineficaz do ponto de vista jur\u00eddico, a inclus\u00e3o dessa cl\u00e1usula pode gerar desconfian\u00e7a, desgaste na rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente e enfraquecer a defesa do profissional em caso de a\u00e7\u00e3o judicial. Em alguns casos, pode at\u00e9 motivar condena\u00e7\u00e3o por pr\u00e1ticas abusivas. A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre adotar pr\u00e1ticas contratuais alinhadas \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o e buscar blindagem por meio de comunica\u00e7\u00e3o clara, consentimento informado e acompanhamento jur\u00eddico especializado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cl\u00e1usulas de n\u00e3o indenizar s\u00e3o nulas por violar direitos da personalidade e a prote\u00e7\u00e3o constitucional do paciente.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1619,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[356],"tags":[],"class_list":["post-1618","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-direito-da-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1618"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1618\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1619"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cassianooliveira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}